Livros sagrados e a mulher: citações para uma reflexão

Publicado em: 06/03/2013

Escritos por homens, os livros sagrados são duros com a mulher. Não é preciso, comentário adicional para confirmar que as escrituras milenares,seguidas fielmente por milhões de pessoas, colocam a mulher em plano secundário. Algumas (repito, algumas) assertivas causam horror, mas apesar disso, tem adeptos. Comecemos com a Bíblia dos católicos. Quem aceita, hoje em dia, Eclesiástico, 25,24, que afirma: “Foi pela mulher que começou o pecado, e é por culpa dela que todos morremos”?

Em Eclesiastes 7,26 o veneno contra a mulher continua forte: “Então descobri que a mulher é mais amarga do que a morte, porque ela é uma armadilha, o seu coração é uma rede e os seus braços são cadeias. Quem agrada a Deus consegue dela escapar, mas o pecador se deixa prender por ela”. Mais amena um pouco, mas na mesma direção de subjugar há passagem em Coríntios, 14,34: “Mulheres, sejam submissas a seus maridos, pois assim convém a mulheres cristãs”.

Mansur Chalitta, tido como tradutor mais exato para o português do Alcorão, o livro sagrado do Islã, afirma: “O mundo do Alcorão é um mundo masculino. Deus fala aos homens e fala-lhes das mulheres”. É simples, Deus não fala com mulher? Quem disse? Um homem, claro! Nessa questão de gênero o Alcorão difere pouco da Bíblia: “Os homens tem autoridade sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas e porque gastam de suas posses para sustenta-las. As boas esposas são obedientes e guardam sua virtude na ausência de seu marido conforme Deus estabeleceu. Aquelas de quem temeis a rebelião, exortai-as, bani-as da vossa cama e batei nelas. Se vos obedecerem, não mais as molesteis.

Deus é elevado e grande” (As mulheres, 4:34). Sobre o judaísmo transcrevo declaração da Rabina Sandra Kochmann, a primeira mulher a desempenhar essa tarefa no Brasil: “Começar cada dia escutando o homem dizer ‘Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo que não me fizeste mulher’ não é agradável para mulher alguma que, por sua vez, deve proferir com ‘resignação’ as palavras ‘Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que me fizeste segundo Tua vontade’. Essas bênçãos fazem parte da liturgia tradicional judaica dentro do conjunto de ‘agradecimentos a Deus’ conhecido como ‘Bênçãos matinais’ e que são recitadas toda manhã ao despertar”.

A Lei de Manu, Livro Sagrado da Índia (de 1280 a.C) diz:“Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, a mulher deve depender do seu pai, ao casar-se do seu marido, se este morrer, dos seus filhos e se não os tiver, do seu soberano. Uma mulher nunca deve governar-se a si própria”. A regra 213 da mesma lei diz:”Está na natureza do sexo feminino tentar corromper os homens na Terra, e por esta razão os sábios jamais se abandonam às seduções das mulheres”

Para encerar, já que nosso espaço é curto, cito o Código Bramanista: “Não há na Terra outro Deus para a mulher do que seu marido. A melhor das boas obras que ela pode fazer é agradá-lo: esta deve ser sua única devoção. Quando morrer deve também morrer”. (Bramanismoé a antiga filosofia religiosa indiana que formou a espinha dorsal da cultura daquela civilização. Se estende de meados do segundo milênio a.C. até o início da era cristã. Persiste de forma modificada e é, hoje, chamada de Hinduísmo).

Diante disso, como discordar da psicóloga Tania Pinafi, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Relações de Gênero em São Paulo, para quem “a violência contra a mulher é produto de uma construção histórica — portanto, passível de desconstrução”?

1 responder
  1. eno josé tavares says:

    Nos meus primeiros momentos de compreensão lá estavam aqueles olhos bondosos a cobrir minhas lágrimas de assustado com o mundo. No despertar das manhãs turbulentas, os magros braços daquela que mesmo em sofrimento deu-me a vida, a cada passo que eu caía ela carinhosamente me erguia dizendo: Vai, tu podes. Aos meus grunhidos de fome lá estava ela com papas ou canjas, que mesmo pobremente ralas, com seu amor eram alimento.
    Por isso, detesto qualquer forma de religião estabelecida, pois elas criam monstros radicais que chegam a induzir seus seguidores ao ódio pela própria mãe por que é mulher.
    Raramente, o bicho homem dá à mulher amor verdadeiro em suas arremetidas sexuais. Pouco amor e quase nenhum respeito para aquela que a ele se submete, nove meses carregando uma cria muitas vezes resultado de um ato cruel.
    Para concluir, as mulheres não precisam ter o seu dia. Elas são perenes, eternas. Oito de março deve, isso sim, ser a data para condenar as omissões e violências, que se comentem contras esses seres divinos.

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