Locutor a força 29

Publicado em: 20/09/2005

A caminho da NHK.
Aparentemente uma vida tranquila, ordenada e feliz numa das cidades do mundo com melhor qualidade de vida não era suficiente. Rotina não se coaduna bem com “alma de cigano.”
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Através de um amigo com contatos dentro da NHK (Nippon Hoso Kiokai) em Tóquio, fiquei sabendo que ia abrir uma vaga no serviço brasileiro de ondas curtas na estação estatal de rádio e televisão japonesa. Entrei em contato com a organização e iniciei a troca de informações profissionais. Recebendo resposta positiva da NHK, começou a febre.

Três anos haviam se passado desde que chegamos de Praga – como o tempo voa! Mas a coceira do pé na estrada começou. Certo que a vaga na NHK era minha, fizemos as malas e embarcamos para Tóquio, via Estados Unidos. Uma vez em Nova York contatei o serviço brasileiro da NHK para informar que já estava em N.Y. à espera do okay final para embarcar para o Japão.

Tóquio informou que a vaga tinha sido preenchida por um jornalista recomendado pelo que estava saindo! Foi como se o chão desaparecesse debaixo de meus pés. A primeira reação foi voltar para Londres, quando me lembrei que o nosso amigo Ronald Small, da embaixada brasileira em Praga, era agora diretor do Setor Comercial do governo brasileiro em Nova York, o Brazilian Trade Bureau. “Depois desse trabalho todo, voltar para Londres com um bebê no colo?” foi a resposta de Ronald, quando lhe contamos a história. E continuou:

“Olha, eu posso te dar um emprego no meu escritório enquanto você procura alternativas. O salário não é grande coisa, mas dá para ir levando. Que acha?”

Depois de ajudar na saída da minha esposa da República Tcheca, essa alma bondosa nos resgatava novamente! Aceitei e nos instalamos em Flushing, Queens. Estamos no fim de 1972, quando ocorreu o primeiro embargo de petróleo árabe. Contatei Lillian LaMachia, então diretora do serviço brasileiro da Voz da América, em Washington, D.C. Ela me respondeu que se eu tivesse entrado em contato um mês antes, teria tido uma chance.

Infelizmente a vaga for a preenchida por um jornalista que estava saindo da rádio NHK, em Tóquio! Vocês sentiram a ironia? Passamos um ano e meio numa das mais dinâmicas e mais caras cidades do planeta, e cheia de coisas para oferecer – só que você tem que batalhar! No início de 1974 fui a Washington visitar a Voz da América. O atual ministro das comunicações, Hélio Costa, estava saindo da Voz da América a caminho da Globo para apresentar o programa ‘Fantástico’, oferecido a Guilherme de Souza, que ainda não queria voltar para o Brasil recomendando o Hélio.

Em Março de 1974 mudamos de Nova York para Washington, D.C. onde trabalhei 14 anos na Voz da América. Este serviço norte-americano de ondas curtas era muito popular na época, e vários dos meus programas recebiam centenas de cartas, principalmente o ‘Clube dos Ouvintes”, o qual apresentei praticamente durante o tempo todo que lá estive, entre outros programas.

Vários “Clube de Ouvintes” foram criados em muitos lugares do Brasil, com os quais trocávamos cartas e todo tipo de informação. Não demorou para que me colocassem como supervisor do Programa Matinal, um horário que ninguém queria, da meia noite até às sete da manhã, porque a Voz da América, além de sua transmissão noturna, também oferecia uma hora de programas para o Brasil. Eu era também o âncora das notícias. Em 1979 o papa polonês, João XXIII foi visitar os Estados Unidos, o que Guilherme de Souza cobriu para a rede Globo e eu para a rede Capital, de São Paulo.

Cobrir a visita do papa ‘Wojtyla’ foi uma festa. Abundava material sobre este polonês que foi ator, cantor e operário, entre outras coisas, para   depois vir a ser padre. Terminada a visita papal, a rádio Capital  continuou comigo a bordo, mas me fez suar pelos parcos dólares que me pagava, exigindo matérias várias vezes ao dia, às vezes me acordando no meio do meu sono, agora diúrno, devido a meu horário noturno na VOA,  pedindo informações e detalhes sobre os assuntos do dia.

Semana que vem vocês vão ficar sabendo de como a vida de um jovem brasileiro foi salva graças à intervenção da rede Capital, da ajuda de médicos brasileiros estagiários nos Estados Unidos, de linhas aéreas e desse que vos fala, entre outros. Vale a pena ficar sintonizado, a história é empolgante!


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