Locutor a força! 3

Publicado em: 02/03/2005

Ninguém me segura mais! Eu havia feito amizade com um documentarista sueco cuja esposa era secretária do embaixador da Suécia, depois de ter sido aeromoça da SAS, linhas aéreas da Suécia.
Aguinaldo José de Souza Filho, de Florianópolis

Meu inglês não era lá grandes coisas, mas dava para tapear. Essa nova amizade me ajudou a preencher os papéis para essa vaga que estavam me oferecendo. As asas das borboletas coçavam o interior da minha barriga. No meio disso tudo, o documentarista sueco tinha uma sobrinha que estava voltando para Estocolmo no mesmo vôo que me levaria a Valhalla, o paraíso mitológico escandinavo! Sentado ao lado da sueca, para mim, esse paraíso começou no avião. Parti do Rio dia 11 de março de 1966. Fazia mais de 35 graus. Vinte e quatro horas depois eu saltava em Estocolmo onde fazia menos de 10 graus abaixo de zero.
O contrato inicial era para um ano como redator-locutor, ou ‘broadcasting-journalist’, em inglês.

Saltei na terra dos ex-vikings com a cabeça feita. Porém constatei que quase tudo que me haviam dito sobre as suecas era mentira. Ou as pessoas estavam me gozando ou eram muito ignorantes! Não sei qual era o pior. Ingênuo sempre fui, mas dizer que na Suécia poder-se-ia levar para a cama tudo quanto é mulher, é se esticar, não acham? Pelo contrário, passou-se mais de um mês sem nada acontecer. Fiquei preocupado!

Como um país que fomentava e fomenta o sexo livre, o sexo por se não é obsessão para eles, a não ser nós – e outros latinos  –  que andamos com os testículos pendurados na testa! Aquela necessidade machista de ter que assinar o ponto a miúdo não existe naquela terra. Era preciso tirar aquela teia de aranha da minha cabeça. Eu comparo o sexo na Suécia com a cachaça no Brasil. Todo boteco na esquina tem cachaça, mas nem por isso vou andar bebendo o tempo todo!

Outro detalhe que ‘iluminou’ a minha ignorância foi o fato de as suecas saberem que no resto do mundo todos as consideram ‘fáceis’, e isso as levava a serem mais cuidadosas, principalmente com latinos, sul americanos e árabes. A primeira sueca com quem saí me fez ver isso quando a convidei para passar a noite e ela respondeu: “e o que você vai pensar de mim depois?” Pensei que estava no Rio… Ela tinha passado uns meses na Itália!

Na rádio fui encarregado de um programa que respondia a cartas dos ouvintes e criei um ‘rádio teatro’ com a mitologia escandinava, onde fazia todos os papéis dos deuses de Valhalla. O engenheiro de som ficou impressionado…

A Suécia possui uma cultura diametralmente oposta à nossa. Chega a ser chato de tão organizado. Histórias abundam de pessoas que se suicidam por vários motivos. O inverno é enorme – o sol nasce às 11 da manhã e se esconde as 13 horas. No verão é o oposto. Não é de admirar que os suecos idolatrem o rei sol e a qualquer coisa que cheire a álcool, incluindo perfumes. No entanto são pessoas honestas. Me senti em casa com sua forma sincera de agir. Mas isso para aqueles que não conheciam o Stanley… Fiquem ligados.

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