Locutor a força!

Publicado em: 16/02/2005

Então você também quer jogar uma mochila nas costas e sair pelo mundo, dedão em riste, em busca “daquela carona” que o vai levar aqueles lugares idílicos que viu em filmes e televisão?
Aguinaldo José de Souza Filho

Eu me lembro como se tivesse sido ontem. Fizera aquele curso de radiotécnico Monitor de São Paulo, vocês já devem ter visto o anúncio nos jornais – se é que ainda existe. Eu tinha 14 anos quando me graduei, no tempo dos rádios de válvulas, os quais parecem estar voltando. Os jovens músicos dizem que os amplificadores de válvulas são mais potentes e mais fiéis!

Bem, como eu ia dizendo, ao me graduar havia montado aquele baita rádio de ondas médias e ondas curtas. Não existia FM ainda. As curtas eram as que me “levavam” mais longe, ouvindo as estações internacionais, como a BBC de Londres, a Voz da América dos Estados Unidos, a rádio Suécia, e muitas outras, contando histórias maravilhosas da vida naqueles países, seus hábitos, culturas e formas de viver que começaram a me deixar com água na boca. “Também quero”, dizia para mim mesmo. Também quero passear na Quinta Avenida de Nova York, ver as lojas da Oxford Street de Londres, sentar-me com os hippies no Picadilly Circus da cidade dos Beatles, escorregar na neve do inverno de Estocolmo, visitar o Parque Tivoli em Copenhague, conhecer os castelos medievais de Praga, saborear um café-au-lait nos bares de rua dos Champs-Elysée em Paris, visitar os lindos monumentos de Lisboa e, bastante ambicioso – falar aqueles idiomas todos!

Assim começou um sonho que se tornou realidade através de muita força de vontade – e eu achava que não tinha nenhuma!

Temos a tendência a subestimar nossa própria capacidade. Testemunho isso diariamente ao executar tarefas que achava que nunca iria conseguir ou terminar. Isso não quer dizer que foi fácil conseguir tudo aquilo que vou contar para vocês, e vão ficar sabendo também como consegui realizar esses sonhos sem precisar de uma fortuna. Na verdade, a maior parte dessa “aventura” foi com quase sem dinheiro algum, algumas vezes trabalhando em plantações no sul da Espanha, em fazendas de gado e de arroz no sul da França, perto da linda cidade histórica de Arles, e outras pura ‘cortesia’ de jovens locais, outras ainda pura bondade de pessoas de coração desse tamanho.

É verdade que cautela nunca é demais – isso valeu para os anos 60 e ainda mais para os dias modernos. Mas nunca subestimem também a generosidade alheia, que também não vem se nós não formos corretos, honestos e cavalheiros. Qualidades contagiantes. Basta praticar para conferir! Aliás essa generosidade começou aqui mesmo no Brasil, com a ajuda de amigos e gente que pouco me conhecia, mas parece que ao entrar em contato comigo ficou contagiada com o meu entusiasmo, com o que deve ter sido o brilho esperançoso que eu devia emanar com meus olhos, que as garotas em Estocolmo chamavam de ‘olhar de latin-lover’. Não sei, só sei que se funcionou para mim, vai funcionar para quem decidir partir numa jornada que traz um retorno rico em experiências, cultura, história e amizades duradouras.

Nos nossos encontros seguintes, eu vou contar como consegui sair do Brasil com tudo pago, sem gastar um só centavo do meu bolso e, ainda muito bem acompanhado. Fiquem ligados!

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *