Lula (e a esquerda?) é das “elites”?

Publicado em: 27/03/2013

A chamada grande imprensa fez a farra com uma singela informação: “quase metade das viagens que Lula fez ao exterior após sair da Presidência da República, foi bancada por grandes empreiteiras”.
Sim, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viajado muito pelo mundo. Viajar é o sonho de consumo de muita gente e Lula não faz nada de errado quando voa – ele voou à exaustão quando no governo e agora não consegue parar. Quem pode, pode, quem não pode se sacode, pois que viajar a toda hora não é para qualquer um, exige grana grossa. E, por isso mesmo, o ex-presidente aceita “colaboração” de algumas das mais ricas empresas (ao menos com ele fazem distribuição de renda).

Lula não comete nenhuma irregularidade, nenhuma ilegalidade quando viaja por conta do dinheiro que sai do caixa das grandes empreiteiras do país como a OAS, a Camargo, a Odebrecht. Até porque no grande líder do povo brasileiro (e isso é inegável) vai tratar dos interesses dessas corporações em diferentes países de diferentes continentes. Quer dizer: ele recebe por relevantes serviços prestados. E quando uma empresa grandona dessas faz um baita negócio lá fora significa que o Brasil também sai ganhando. O que há de pecaminoso na estratégia de fortalecer nossas multinacionais? Quem vai saber?

Lula andou, entre outros países, por Moçambique, Angola, Costa Rica, Bolívia, Venezuela, Panamá, com grana das empreiteiras e nesses locais todas elas ganharam contratos de vários milhões de dólares. E, ai?
Mesmo que as empresas neguem que Lula trate de interesses empresariais a cada viagem dessas, volumosos contratos para grandes obras foram obtidos, nos diversos países visitados pelo nosso grande líder. Em nota à imprensa a Odebrecht disse que pagou Lula para “ministrar palestra a empresários, investidores, líderes políticos e formadores de opinião.”Pois é, as “vibrantes palestras” renderam, entre outros, contrato de um bilhão de dólares por ano à Odebrecht em Angola. O Instituto Lula, também disse que o ex-presidente viaja para cooperar para com o desenvolvimento da África e América Latina.

Esse blá, blá, blá de explicações é conversa fajuta, Lula faz o que bem entende e as empreiteiras também. Ou não? O que está posto para análise é outra história: a guerra contra “as elites”, essas elites que fizeram e ainda fazem todos os nossos males, segundo sempre insistiu (e ainda insiste) o ex-presidente. Vejam, as empreiteiras (talvez não exista nada mais representativo das nossas “elites” do que elas) estão entre as grandes financiadoras das eleições, inclusive do próprio Lula. A OAS Ltda, para citar apenas um exemplo, doou um milhão de reais para a campanha do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Claro, tudo legal, dentro da lei, mas perfeito para demonstrar que o tal discurso “contra as elites” é feito apenas para enganar bobo. Ou não?

É uma situação estranha, para não dizer esdruxula – ainda mais para Lula que se encarregou de desmoralizar com Lech Walesa, o líder operário polonês, por muito menos–essa mudança de atitude, passando de feroz inimigo das elites para dócil office boy dessas mesmas elites. O mais espetacular de tudo é que Lula acabou dando razão ao maquiavélico general Golbery do Couto Silva que sempre imaginou uma esquerda que a direita gostasse…

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