Lula e o mensalão & o Bolsa Família

Publicado em: 15/08/2012

selo-apontamentosUM – Texto de Ferreira Gullar em torno do mensalão esquentou as redes sociais no fim de semana. O poeta disse que Lula sem duvida sabia de tudo o que acontecia e que “em tudo interferia, por meio de seus paus-mandados”. Gullar não mediu palavras: “É evidente que Lula não podia ignorar o mensalão porque não se tratava de uma questão secundária de seu governo”. O artigo que ele escreveu na Folha de S.Paulo tem por título “Só o chefe não sabia”. Como se diz na gíria “foi golpe nos rins”. Nessa manifestação, escrita em alto nível, o que mais chama a atenção é a reação da tropa de choque (ou seriam os latidos estridentes dos cães de guarda?) com objetivo de desqualificar o poeta. Essa tem sido a tática mais comum do comando do PT, ou seja, não entra no mérito, não vai ao ponto, não contesta o argumento, apenas descarrega sua bílis para ofender, denegrir, amedrontar quem ousa a expor sua opinião. Tem gente que se presta para tudo, inclusive para esse triste papel.

Gullar não está sozinho nessa tese (embora negue agora, por mais de uma vez Lula admitiu conhecer tudo). Mais gente do que se imagina pensa como o poeta. Também tenho comigo que é impossível aceitar que Lula nada sabia sobre o que ocorria no Palácio. E Lula não teve o mesmo destino do ex-presidente Collor de Melo porque a oposição, em nosso país, é muito frágil e parte foi desmoralizada pelo escândalo.

A existência do mensalão é fato trágico no processo de assunção de parcela da esquerda ao poder no País (falo em parte da esquerda porque militantes do PSOL e do PSTU alertaram que a generalização pode prejudica-los, pois no caso do mensalão nada devem, pelo contrário). Agora, negar a tragédia que se constituí o escândalo é tentar tapar o sol com a peneira. Para quem enfrentou a ditadura é lamentável constatar que o padrão ético embutido ao discurso pela mudança (no qual foram distribuídas ofensas para todos os cantos) ficou no papel. Não há como não insistir: dói verificar que, no poder, o PT fez pior do que a direita mais renitente. Daí, talvez, o desabafo do poeta.

E dia 13, confirmando expectativa, o advogado Luiz Francisco Barbosa defensor do presidente do PTB, Roberto Jefferson bradou no STF: “Eu digo, o presidente Lula não só sabia, como ordenou o encadeamento de tudo isso que essa ação penal escrutina. Deixaram o patrão de fora. Deixaram não, o procurador-geral da República deixou”.

(Falando em padrão ético de mentirinha: é dose pra mamute ouvir advogado, deputado, governador, dirigente partidário do PT, dizer que o mensalão, ou seja, a compra de parlamentares não existiu, foi apenas caixa dois. Caixa 2 não é crime? Bem, nesse joguinho de palavras – ou de crimes, ou de postura ou de engana bobo, ou de faz conta – recordemos que Al Capone só foi parar na cadeia por sonegação de impostos).

DOIS – Ultimamente, de quatro em quatro anos, nas eleições municipais, entra em ação um tipo de cabo-eleitoral perverso que nega tudo o que diz defender. Trata-se de um escroque de marca maior especialista na exploração da fragilidade das pessoas mais humildes. Num grau de covardia sem precedente entra na casa dos beneficiários do Bolsa Família e faz a mais cruel de todas as ameaças: se não votarem no candidato que ele apresenta a família vai perder o benefício.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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