Lutas sindicais

Publicado em: 22/12/2008

Lutas sindicais são coisas do passado, me dizem. Os próprios sindicalistas falam hoje com reserva sobre os movimentos que fizeram a glória de algumas conquistas e que também chegaram a derrubar um presidente da República.
Jango, o presidente João Belchior Marques Goulart é um deles. Foi deposto por um golpe de estado liderado pelo alto escalão do Exército em 31 de março de 1964 sob a alegação de estar transformando o Brasil numa república sindicalista.

Entre os “crimes” de Jango estava o fato de que em 1963, o governo assinara decretos regulamentando a profissão de radialista, bem como a obrigatoriedade da programação ao vivo na radiodifusão sonora e na de sons e imagens (rádio e televisão), conforme lembra Silveira Lopes, presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina em comentário à matéria publicada recentemente neste site.
A regulamentação da profissão de radialista e a obrigatoriedade de programação ao vivo nas emissoras de rádio e televisão veio depois de uma luta de muita gente em vários congressos nacionais realizados pela classe em todo o Brasil.

Em Santa Catarina Hugo Silveira Lopes e José Eli Francisco, presidentes dos dois sindicatos de Radialistas do Estado e Lauro Hagemann, do Rio Grande do Sul lideraram o movimento que resultou na edição do decreto 52.287 publicado em 28 de Julho de 1961. A reação contraria do empresariado da comunicação foi de tal ordem que somente em 1975 os radialistas voltaram a agir organizadamente.

E foi “Então, (que) em Junho de 1975, aqui na ilha de Santa Catarina, reunimos o Brasil – Radialista, dos quatro extremos, no II CONARA, dele participando muitos remanescentes do primeiro. Foram três cansativos e batalhados anos até que o Governo encaminhasse, e o Congresso Nacional aprovasse a Lei regulamentadora da Profissão do Radialista, sob n.º 6.615, de 16 de dezembro de 1978”, desabafa Silveira Lopes.

Agora, 30 anos depois, o tema ressurge com o lembrete de José Eli Francisco: “Caro Antunes. Esta foto foi tirada em Joinville durante um seminário sobre rádio e TV promovido pelo Sindicato dos Radialistas Regional Norte/Nordeste de Santa Catarina, no Colégio Bom Jesus, em 25.09.1997. Na foto estão: Hugo Silveira Lopes, presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina e Lauro Hagemann, do RS, fundador dos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do RS, ex-vereador em Porto Alegre e ex-deputado do RS. Ambos integraram a Comissão que criou a lei 6.615 que, como você bem sabe, resultou de congressos realizados em Porto Alegre, Florianópolis, Paraná e Rio de Janeiro. Lauro apresentou durante décadas o famoso Repórter Esso, pela Gaúcha, em Porto Alegre.

1 responder
  1. waldemar Garcia says:

    Atuei na Rádio Tv Gaúcha – pioneiro – inaugurei a TV no Morro de Santa Tereza – acompanhei o trabalho de Lauro no Sindicato dos Radialistas – assim como com o Dilamar Machado e outros… Participamos de muitas lutas em prol da classe dos radialistas de Porto Alegre e região… Saudades muitas… Hoje atuamos em Guarapuava no Paraná e particpamos do Sindicatos dos Radialistas do Paraná… Parabéns pela materia. Waldemar Garcia.

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