Luto no rádio gaúcho: morreram Amir Domingues e Lupi Martins

Publicado em: 15/10/2007

Foi um início de semana triste para o rádio do Rio Grande do Sul. Na segunda, dia 8 de outubro, faleceu o apresentador e comentarista da Guaíba, Amir Domingues, uma das referências históricas da emissora. No dia seguinte, morre o repórter Lupi Martins, há anos o homem da Agência Brasil em Porto Alegre e que cresci escutando, ao lado do irmão Lasier, na superequipe esportiva da estação da família Caldas nos anos 70. Por Luiz Artur Ferraretto
Neste mesmo Caros Ouvintes, tive a honra de ter uma mensagem do Amir registrada em minha coluna do dia 26 de setembro do ano passado:
– Muito obrigado. É muito gratificante sabermos que nosso trabalho mereceu a atenção de tão competente pesquisador sobre a história do rádio.
Competente enfim era o Amir, um dos maiores entrevistadores do rádio do Rio Grande do Sul, sempre calmo e de voz bem colocada, o homem que venceu o silêncio do último general presidente do país. Em uma manhã perdida no tempo, João Figueiredo aceitou dar entrevista, a primeira depois de anos, porque ao microfone estaria Amir Domingues. Isto, na seqüência de dezenas de ligações do produtor Linei Zago. À imposição de falar apenas sobre a passagem de Figueiredo pelo Rio Grande do Sul na infância, o apresentador do programa Agora respondeu comendo o mingau pelas beiradas. Foi deixando o homem à vontade com reminiscências de infância.
Lá pelas tantas, o general, que anos antes afirmara preferir o cheiro de seus cavalos ao do povo, já tratava de política. E o trabalho foi notícia em todo país. Figueiredo criticando o governo.
Que lição, hein? Técnica de entrevista precisa aplicada ao microfone da Guaíba. Recordo, ainda, de uma lição de vida. Foi ao colher o depoimento do Amir para minha dissertação de mestrado que acabou se estendendo para a tese de doutorado. Ao comentar as agruras da profissão e tudo que passara na Caldas Júnior e na Guaíba, veio a definição:
– Eu pensava que isto aqui era minha casa e descobri que era meu emprego…
Era a avaliação do momento em que os jornais Correio do Povo e Folha da Tarde pararam de circular e houve a ameaça da rádio deixar de transmitir. É também até hoje a prova da dedicação de Amir Domingues à profissão e à Rádio Guaíba.
E do Lupi, que dizer? Repórter preciso, que conheci, primeiro, de nome nos jogos narrados por Armindo Antônio Ranzolin na Guaíba dos anos 70. Anos depois, cruzei várias vezes por ele nas reportagens da vida. Colega cordial e correto.
Conto uma história bem particular. Na terça passada, o Vitor Bley de Moraes, colega do Lupi dos tempos da Guaíba, me ligou. Narrou várias histórias dele. E o alemão, que é mais do riso do que do choro, embargou a voz e não falou mais nada.
Eu e os ouvintes do Rio Grande do Sul juntamo-nos ao Vitor, meu compadre, nesse ensurdecedor silêncio da ausência de vocês, Amir Macedo Domingues e Lupi Martins, que agora estão lá em cima, lá entre as ondas eletromagnéticas tantas vezes já singradas por eles.
 


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