Luz Sobre a Mesa

Publicado em: 16/06/2013

Numa das passagens do Novo Testamento, Cristo afirma, sobre o risco que corria pela exposição clara de sua doutrina, que, para iluminar, a luz deve ficar sobre a mesa e não sob ela!

Assim é com o conhecimento: ele também deve ser aberto e exposto, para gerar frutos que alimentem todos!

Infelizmente, a história mostra que nem sempre é assim:

Desde a Antiguidade, o conhecimento sempre foi tratado como instrumento de poder secular, sem muita preocupação com o bem comum.

Não raro, seus portadores e detentores o envolviam com aspectos místicos, para amedrontar os ignorantes e tirar proveito da má índole dos poderosos.

A transferência do conhecimento era feita em círculos fechados e somente para “iniciados”, selecionados por critérios próprios.

Todo esse processo envolvia rituais, códigos e “segredos” mantidos “a sete chaves”, que amedrontavam e afastavam os plebeus, mas, estavam adequadamente disponíveis aos poderosos.

Qualquer falha na proteção e ocultação do conhecimento era punida de forma terrível, tida, externamente, como sobrenatural. Na melhor das hipóteses, o destino do responsável era semelhante ao de Prometeu…

O objetivo, obviamente, não era preservar ou aprimorar o conhecimento, mas, assegurar o poder que seu domínio propiciava.

A luz era mantida sob a mesa, pois as trevas eram o ambiente ideal para o exercício de suas más-intenções.

Não é muito diferente hoje:

Quando alguns pensadores antigos resolveram pregar e discutir suas ideias em locais abertos, passou a ficar igualmente claro que qualquer um, desde que demonstrasse aptidão e empenho, poderia assimilar e, mais que isso, aperfeiçoar e evoluir conceitos e conhecimentos.

Os mestres optaram por serem luz, em vez de sombra!

No entanto, aspectos menos nobres, como a exigência de ascendência nobre para ter acesso ao aprendizado, ainda limitavam essa evolução. O conhecimento ainda era utilizado como instrumento de elitização, sem necessariamente produzir benefícios universais.

Centenas de anos se passaram até que a capacidade intelectual do ser humano fosse reconhecida e valorizada fora dos âmbitos aristocráticos e burgueses, embora sempre ao serviço destes. Ainda existem os mesmos “segredos”, mantidos “a sete chaves”, acrescidos dos segredos de mercado, o que os anteriores também não deixavam de ser. O que há de novo é que, hoje, o conhecimento é exposto nas Universidades, de forma aberta e democrática.

É certo que ainda existem mestres que escondem o que sabem. Eles permanecem envoltos em “misticismo”, mais ávidos em arrebanhar admiradores e seguidores do que em difundir e aprimorar os saberes.

Porém, a maioria dos sábios contemporâneos encara sua função como a de um atleta numa corrida de revezamento: sabe que é portador de um conhecimento, dá o melhor de si para desenvolvê-lo e tem consciência de que é parte de um processo. O sucesso dessa “corrida” sem fim está em saber passar corretamente o bastão, para que o próximo avance além, em nome da evolução humana!

A luz está sobre a mesa e lembra outras passagens bíblicas, análogas: a do senhor que, antes de viajar, distribuiu valores aos servos, e a das sementes lançadas ao longo caminho, em diferentes tipos de solos. Essas parábolas também servem para mostrar que o conhecimento só tem valor quando se multiplica, dissemina e promove o bem comum.

É óbvio e natural que quem participa diretamente da evolução do conhecimento queira e mereça obter proveito de seu esforço. No entanto, quem o mantém inerte e oculto por medo, vaidade, interesse ou má-fé está prestando um desserviço inaceitável e imperdoável para com a humanidade!


Adilson Luiz Gonçalves
Membro da Academia Santista de Letras
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento)
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