Luzes que não revelam quão ligeiro o tempo passou

Publicado em: 02/06/2012

Tributo ao chefe escoteiro Paulo Roberto Guimarães

E o pior da história é quando a gente não percebe que o tempo passou. Então é preciso sacudir a poeira, tomar coragem e fazer como faço nessas croniquetas, mal articuladas, quando redescubro aquelas sensações de que vivemos eternamente crianças… É essa a minha intenção assumindo este espaço no Caros Ouvintes extravasar e compartilhar meus tempos de ouro, que se não voltarem mais, pelo menos estarão registrados aqui. Recordo, por exemplo, ainda sob os domínios da galega braba – a minha mãe – que todo sábado após às dezenove horas tínhamos um compromisso familiar obrigatório: eu, minha mãe e minhas duas irmãs ainda crianças nos abalávamos Rua Duarte Schutel afora e na Almirante Lamego entrando pelo jardim e o pomar do Professor Warken, íamos para o salão nobre do Colégio Catarinense para nos deliciarmos com os clássicos do cinema da época.

Aí ,tínhamos Cantinflas, Mazzaropi, faroestes, Charlie Chan e o máximo dos máximos: o inolvidável Charlie Chaplin na sua figura patética, tirando de cada farpa da vida um esquete maravilhoso do cinema mudo. Aquele monstro sagrado do cinema nos transportava às lonjuras que alimentavam nossos sonhos e estimulavam nossa imaginação.

Nós, espectadores de uma época ainda sem televisão, sem acesso às escassas apresentações de teatro, e as muitas e caras sessões de circos mambembes, que se instalavam no Campo do Manejo, tínhamos naquela cinematografia o auge de nossas modestas e contidas alegrias culturais.

Quando se fala no sagrado culto ao antigo rádio, que também pelos ares nos transportava a imaginações inacreditáveis, aquele cinema mudo, rico de mímicas e talentos, entrávamos em êxtase tridimensional… Matar ou Correr, O Vendedor de Linguiças, Luzes da Ribalta, o Grande Ditador” e tantos outros nos puxavam para dentro do pequeno palco onde se alojava a tela em lençol branco como se coadjuvantes fossemos.

Agora, tendo vivido também as belezas inimagináveis das atividades de um Grupo Escoteiro, com mais de 70 anos na corcunda, deslocado da cidade onde nasci, vivi e curti, me sinto mais um estrangeiro. Mas, como sou persistente e dedicado continuo buscando sempre o lado positivo das sendas que o Criador nos deu e que a vida incentiva a colher e partilhar.

1 responder
  1. ENO JOSÉ TAVARES says:

    Hoje o mundo está mais iluminado, mas a imaginação devaneia pouco. …que figura e que talento extraordinário era o contra regras de uma estação de rádio, um”ponto”de teatrinho do Alvaro de Carvalho ou do UBRO…

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