Macaxeira e carne de sol – Primeira parte

Publicado em: 01/03/2014

Nem só de “macaxeira” e “carne de sol” o cearense enche a barriga dos turistas que vão conhecer Fortaleza e todas aquelas praias de beleza sem par, onde o Criador deve ter tirado férias para esboçar o resto do mundo.

IracemaA começar pelo Tia Nair – restaurante à beira do mar – (aliás, tudo é na beira do mar!) – você vai conhecendo as inúmeras iguarias, como o Brochete de Lagosta (alguns, por desconhecerem prato com esse nome, não comem), um Pargo Inteiro Barrica Cheia ou um Grelhado Azul do Mar.

Você fica “abirobado”, doido pra “acunhar” daqueles pratos, “ariado” com tudo aquilo!

Nem precisa ficar somente na Praia de Iracema, na Pousada do Seu Aurélio Simões. Se você tem tempo de férias, não precisa ficar “avexado”, nem bancar o “abestado”, entrando em qualquer lugar. Vá com calma pra ver tudo, porque no táxi do Robert, o dicionário-histórico-ambulante, você vai bem depressa até a “baixa da égua”, pagando muito pouco (acho que ele recebe da Secretaria de Turismo).

Muito pouco porque você só paga a corrida: as informações vêm de graça, porque o Emanuel (que é o Robert!), não cobra a mais por isso. Depois falo do Ferraz – que também faz parte do nome dele, o Robert.

Merece um capítulo especial um local chamado Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Casarões centenários, tombados, interligados, com seus shows de todas as espécies, magníficas passarelas, com direito a dois cinemas na parte superior, ao lado de diversos auditórios, salas para vernissage, planetário, constantes exposições de artesanatos regionais, área especialmente dedicada às crianças, com recreações artísticas da mais alta qualidade a elas dedicadas. Na realidade “é só o mi”.

Além do Dragão do Mar – que é um mundo! – você conhecerá, também, o Centro Cultural Banco do Nordeste, criado em 1998, um verdadeiro centro formador de plateias e espaço de difusão e promoção da cultura nordestina e universal, feito para despertar em milhares de pessoas a curiosidade, a valorização e o interesse pelos bens culturais.

Sediado em Fortaleza, o Centro Cultural é uma ação estratégica do Banco do Nordeste para o desenvolvimento do nível de percepção do homem nordestino, indispensável ao exercício da sua cidadania.

Dá-nos a impressão que as instituições de lá não são da mesma família das instituições daqui do Sul, como Sebrae, Banco do Brasil, o próprio Banco do Nordeste, Senac, Sesc e outros.

Lá essas instituições estão – sempre – presentes na vida cultural de toda a região nordestina. Somente o Centro Cultural do Banco do Nordeste são quatro andares de muita arte e cultura, nada “peba”, tudo da melhor qualidade, equipado com salões de exposição permanentes e temporárias, teatro multifuncional e biblioteca, com programação (imagine!) diária!

Nas áreas de museologia, cinema, artes plásticas, música, teatro, literatura e cursos, além de eventos especiais, o público descobre o prazer de conhecer e apreciar a arte e a cultura e se habitua a conviver com artistas e obras de reconhecida qualidade. E anote: funciona das 10 às 20 horas de segunda a sexta feira e, aos sábados, das 10 às 18 horas.

Ainda não falei do Memorial da Propaganda, da fábula chamada Theatro José de Alencar, dos artistas cearenses, como Chico Anísio, Didi, Fagner, Zé Modesto, Adamastor, Pitaco, Lailtinho, Rosicléia, terra da espetacular Rachel de Queiroz, do Centro de Artesanato do Ceará, da espetacular Funcet – Fundação de Cultura, Esporte e Turismo com suas iniciativas que se inserem na política pública de preservação da memória do patrimônio histórico da capital cearense.

Não destaquei, também, a Galeria Antônio Bandeira, nas dependências do Centro de Referência do Professor, o Memorial Sinhá D’Amora, o Teatro Antonieta Noronha, o Museu do Reclame, a grande proposta, no subsolo do Mercado Central (uma Babilônia de produtos artesanais), do Memorial do Patrimônio Religioso, culminando tudo com ações desenvolvidas no Mercado dos Pinhões e na Praia de Iracema, configurando-se, assim, o Complexo Cultural da Prefeitura de Fortaleza.

Um trabalho que deveria ser copiado por todas as Prefeituras do país, mesmo enfrentando dificuldades conjunturais, trabalhando pela elevação da auto-estima do povo de cada cidade, garantindo-lhes acesso aos bens da cultura.

Todas as cidades possuem o seu memorialista, como eles têm Marciano Lopes e um José Maria Barros Pinto, este presidente da Funcet.

Permitam-me continuar neste relato, porque ainda tem praias, areias coloridas, com histórias sem “lereado” e com muita coisa “ispilicute”!

Mas, antes, rememore os termos aqui usados, desconhecidos da maioria da população brasileira:

01- Macaxeira – mandioca. 02- Carne de sol – não confundir com charque ou carne-seca. Essa é da sombra. 03- Abirobado – maluco. 04- Acunhar – chegar junto. 05- Ariado – desnorteado. 06- Avexado – apressado. 07- Abestado – otário. 08- Baixa da égua – lugar distante. 09- Só o mi – diz-se de alguma coisa muito boa. 10- Peba – de má qualidade. 11- Leriado – conversa fiada. 12- Ispilicute – do inglês “She´s pretty cute” – engraçadinha.

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