Mamma Mia!

Artigo publicado em: 09/05/2010

Não vou falar de aventais sujos de ovo ou daquelas promessas: – Vou ser um bom filho, de hoje em diante!; que todos já fizemos no Dia das Mães. Vou falar da saga de uma mulher, de uma verdadeira epopéia, daquelas dignas dos versos de Homero, Virgílio, Camões ou Milton: Foram cinco filhos de parto normal, dezesseis anos de diferença entre o mais velho e a mais nova. Apesar disso, a beleza nunca a abandonou. Costurou, cozinhou e ensinou todos os filhos a cozinhar. Sem traumas nem reclamações, todos cooperavam e davam valor às tarefas domésticas. Não os versou em etiquetas, mas ensinou-os a não avaliarem pelas aparências. Educou-os para serem seres humanos e não animais de estimação e exposição. Vivia pintando e bordando… Literalmente, bem entendido!

Cantava bem! Poderia ter sido cantora de rádio, se quisesse, pois tinha voz, interpretação e afinação para tanto! Ensinou-me a desenhar e a ter gosto por música. Com ela, aprendi a ouvir Orlando Silva e Chico Alves. Juntos, aprendemos a ouvir Chico Buarque e Elis. Comigo, ela aprendeu a ouvir Elton John e Djavan.

Era uma enfermeira de mão cheia! Até os vizinhos confiavam seus filhos a ela!

Levou-me, com orgulho, para estudar na mesma escola pública onde fez o primário!

Sempre viu – e vê – a vida com bondade e simplicidade. Católica convicta, mas sem preconceitos, foi vítima deles, nunca autora. Quem tentou descobrir-lhe erros e defeitos, só conseguiu encontrar a própria malícia e hipocrisia.

Ensinou os filhos a respeitar a crença dos outros e, principalmente, a ter fé em Deus! Sempre foi zelosa – até em excesso – com eles, mas nunca patrulhou ou interferiu em suas vidas.
Nunca fez promessas para que os filhos cumprissem ou chantagem emocional para que eles obedecessem as suas vontades. Fez por eles mais do que seus pais puderam fazer por ela. Hoje eles fazem o mesmo por seus filhos.

Sua maior lição e seu único e acalentado orgulho é ter sabido soltar as amarras sem romper os laços!

Aí vieram as crises de arritmia cardíaca: internações duas vezes por semana, com batimentos que ultrapassavam o limite de medição dos aparelhos! Depois, duas pontes de mamária, úlcera nervosa, vesícula extraída e isquemias cerebrais, somadas às mágoas de infância e às perdas familiares…
Mamma mia! Por muito menos eu já teria embarcado desta, para uma melhor ou pior, sabe-se lá…
Abatimento? Não! Corpo e saúde ficaram frágeis, mas o espírito permanece suave como uma pétala de rosa, embora sempre: firme, transparente e cintilante como um diamante! A cada baque, um novo exemplo de superação e coragem! Nem diagnósticos negligentes e tratamentos equivocados conseguiram derrotá-la!

Setenta e sete anos em um metro e meio de puro espírito demonstram que idade e tamanho não são documentos: prova insofismável de que o espírito pode comandar o corpo!
Sempre foi amor que aquece e protege; sempre doou sem questionar e sofreu em silêncio; sempre sorri e está disponível para todos!

Consegue ser, naturalmente, o que muitas dizem ou tentam parecer que são: bonita, por dentro e por fora!

A vida foi dura com ela, mas ela continua doce com a vida! Tão doce que foi difícil aprender que o mundo não era tão puro e ingênuo como parecia, sob suas asas.

Com tudo e por tudo isso, minha mãe me ensinou a amar e respeitar as mulheres! Entendê-las? Bem… Ainda estou me especializando no tema, mas a cada nova lição tenho sempre: renovadas e fascinantes surpresas!

Tenho certeza de que cada um tem esse tipo de anjo de carne e osso em sua vida: meu filho também tem a dele! E por mais que a gente tente agradecer ou retribuir, essa é uma dívida que só tende a aumentar.

Não tem problema! Pois, na contabilidade materna não há espaço para débitos: só para amor, sem limite de crédito!

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