Manoel de Menezes, eterno

Artigo publicado em: 24/06/2007

Esta me contou o Manoel de Menezes, pai do Cacau, grande alma do seu tempo e ainda exemplo do jornalismo de bravura e intimorato. Viveu ele no Rio de Janeiro, se me não engano na década de 50. Lá conseguiu algum dinheiro e retornou a Floripa.
Por Aderbal Machado

Disse-me primar pela elegância da época: terno de linho branco, sapato preto e branco, gravata vermelha – tudo de grife -, muita Glostora no cabelo, bigodinho bem trabalhado, perfumado sempre.
Chegando aqui, no primeiro dia, era pleno carnaval e os blocos desfilando (tempo bom do carnaval inocente e verdadeiro…) na Praça XV. Com seu conversível “rabo de peixe”, Maneca estacionou e ficou olhando o desfile. De repente, sobre um caminhão, sambando, uma morenaça de fechar o comércio. Lindíssima, lábios carnudos, coxas maravilhosas, corpo de miss.
Um tesão, na linguagem de hoje! Maneca se insinuou, ficou paquerando a gatíssima. Daqui e dali, chegou perto e começou a “alisar o material”, que só o olhava, com interesse. Foi puxando para um canto e levou para um ponto isolado. E a morena nada, nem uma palavra, só aceitando o assédio, na buena.
Chegou na hora, puxa aqui, aperta dali e a morena resistindo. Aí Maneca não resistiu:
“O que é que há, garota? Tu não queres nada e também não falas? Como é teu nome, pelo menos?” E a morena, com uma voz de tenor, grossíssima: “Meu nome é Kido”.
Era um travecão dos bons e assumido. Perguntei ao Maneca como ele se enganou. E ele, profundo: “Ô, Machado!! Como é que eu ia adivinhar, naquele tempo, que essa peça existia?”.
Publicada originalmente no blog Minha Vida, Minha Gente, Meus Lugares, Sabores e Amores, de Aderbal Machado.

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