Manoel de Menezes, o manezinho trovador

Publicado em: 17/08/2011

Na década de 1950 o rádio vivia uma fase de grande romantismo. A maioria das emissoras mantinha programas com locutores declamando poesias apaixonadas tendo como fundo musical, tangos e boleros. Ficaram famosos alguns desses programas como “Rosa de Tango” de Souza Miranda, “Retalhos D`Alma” do catarinense Manoel de Menezes e “Acordes do Coração” com Getúlio Cury. O jornal Gazeta do Povo fez um concurso entre ouvintes de rádio para saber qual o programa romântico preferido do público.

Na edição de 9 de novembro de 1950, o jornal publicou o resultado com o programa “Retalhos D`Alma”, apresentado pelo poeta “barriga-verde”, Manoel de Menezes na Rádio Clube Paranaense, em primeiro lugar.

O inspirado poeta, que foi também, um jornalista combativo, no período em que esteve em Curitiba, lançou livro de poesias, apresentou programas de rádio e fez amigos. Durante longo tempo manteve seu programa na Rádio Clube, transmitido por ondas médias e curtas. O  longo alcance da mais poderosas emissora paranaense, tornou  Manoel de Menezes conhecido em vários pontos do país e até no exterior.
Chegavam cartas de vários estados e países, muitas delas pedindo os livros de poesia de sua autoria. Menezes chegou a excursionar pela Argentina onde se apresentou em rádios e teatros como um dos bons poetas do sul do Brasil. Deixou Curitiba e retornou a Florianópolis. Encerrou sua carreira de poeta e entrou na política. Foi deputado estadual e candidato a prefeito, quando enfrentou  poderosas forças políticas.  Corajoso e determinado, decidiu combater contra o poder político dominante e não teve sucesso.
O simpático  e sempre bem humorado Manoel de Menezes, que passou pelo rádio do Paraná como uma onda suave e romântica embalada por belas poesias, marcou sua vida jornalística pela coragem e bravura ao enfrentar adversários poderosos. Mereceu de seu povo uma homenagem traduzida num busto de bronze colocado no alto do morro da Lagoa da Conceição, um dos recantos mais belos e poéticos da Ilha da Magia.
(do livro Sintonia Fina)

1 responder
  1. DONATO RAMOS says:

    Os programas de saudade, no interior, ainda fazem muito IBOPE. Escrevi durante décadas programas de saudade e, tenho publicado diversos livros com o que chamávamos “nariz-de-cera”. Os textos poéticos normalmente patiam do nome da música, com cinco ou dez linhas apenas, lidos com aquela voz “44”, vindas do fundão do diafragma.
    textos que faziam muita gente chorar… Hoje chorariam de raiva, porque eram textos de “cortar os pulsos”. Quem tiver curiosidade acesse http://www.agbook.com.br ou http://www.clubedeautores.com.br. Ao abrir as página dos sites, digitem DONATO RAMOS. Vai para a minha página de livros publicados. Relembrem, divirtam-se, chorem se quizer…
    Abraços. [email protected]

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