Maria

Publicado em: 17/04/2012

Maria das Graças passeava na fria tarde com vento sul. Porque passeava Maria e em que pensava Maria, isso é mistério. Mesmo porque todas as Marias que conheço trazem uma sombra indefinível de tristeza no seu rosto de Maria. É bem possível que Maia pensasse no seu João, tão nervoso e tão inquieto, esperando ali na esquina. Ou, romantismo à parte, nas dificuldades da vida, nesse mundão velho sem porteira, de tão rápidas e profundas mudanças. De repente, Maria deixou de pensar porque uma coisa veio vindo la de cima, veio vindo, veio vindo e catatimba: aterrissou na cabeça sonhadora de Maria.

Se Maria não fosse das Graças, se Maria fosse apenas Maria ou se fosse Maria da Glória,  haveria mais um João sem Maria neste pobre mundo de procuras e de desencontros.

O desabou sobre a cabeça de Maria era uma prancha, uma tábua grossa que abandonou a sua dúzia e mergulhou no espaço, em ímpetos suicidas de origem inexplicada.

Mas Maria era das Graças e não teve senão as chamadas “escoriações generalizadas” da crônica policial.

Tudo isso na Rua Felipe Schmidt, que se fosse no Rio Grande, o gaúcho batizaria de Rua da Praia.

Na hora da ponte e da sua fila, se alguém passar pelas calçadas, está correndo o risco de receber uma prancha no cocuruto. Se passar pela rua, vira notícia de jornal, atropelado.

Se correr, o bicho pega.

Se ficar o bicho come.

Em nome do amor de todas as Marias pelos seus Joões, eu peço a palavra. A palavra não peço, que já estou com ela. Peço providências. E, se não for muito incômodo, que essas providências sejam catalogadas na estante abarrotada das urgente e das inadiáveis.

Se tudo continuar como está, nesta cidade que dorme, serei obrigado, muito à contragosto, e para decepção da minha Maria, serei obrigado senhores, a soltar um sonoro e retumbante palavrão.

Tenho dito.

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Alberto Dines, nos Cadernos de Jornalismo e Comunicação:

“Para o estadista moderno está é a questão. Divulgar ou comunicar? No Brasil, quando um administrador público pensa em preencher o vácuo que o separa da opinião pública logo se arma em torno dele o indefectível circuito de entrevistas coletivas, espocam verbas espetaculares para transformar pequenos feitos em grandes realizações, contratam-se gebais relações-públicas que operam milagres como seu circuito de amizades e eis o nosso homem público com a consciência tranquila: a opinião pública está atendida. A par de provocar distúrbios gástricos com tantos almoços, jantares e drinques e incentivar o pior tipo de jornalismo que é esse, baseado no tráfico de influências, está o nosso homem público empurrando a opinião pública para a desmotivação, terreno ideal para a germinação de ideias perigosas.  É por esta razão que o jornalismo passou a ser um sub-produto de uma ciência maior, a comunicação, ciência do comportamento, abandonando o conceito clássico, semi-artístico, de manifestação beletrista”.

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Conta o jornal Cruzeiro do Sul e Joaçaba, que no momento em que o governador Ivo Silveira inaugurava a estrada Joaçaba-Luzerna, preparando-se para cortar a fita simbólica, um locutor assim narrou o acontecimento:

–       E agora, senhoras e senhores, vai ser inaugurada a estrada. O governador prepara-se para o desenlace da fita simbólica.

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O concurso instituído para encontrar um “slogan” para a cidade apresentou verdadeiras preciosidades. Sem falar nos que consideram Florianópolis “a joia do sul”, a “pérola dos mares”, a “rainha das praias”, princesa disso, sinfonia daquilo, há alguns decididamente na faixa da gozação. Este, por exemplo, de um renitente admarista, com certeza:

–       Florianópolis, para frente e para o alto.

Ou este de inspiração mais ou menos trágica:

–       Florianópolis, cidades dos desterrados felizes.

Outro mandou brasa:

–       Florianópolis, a Vênus das Capitais.

Além de mais de duas centenas, quase todos na mesma faixa, há este, genial:

–       Florianópolis, ponte preta sobre o mar azul.

Também, o que é que a Prefeitura queria por duzentos cruzeiros?

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Pode ser verdade, pode ser mentira.

Contam que numa das provas da Faculdade de Medicina, um aluno, certamente um gozador, instado a dar um exemplo de um ácido, um sal e uma base, respondeu tranquilamente:

–       Ácido úrico, sal de fruta e base aérea.

O ministro Hélio Beltrão não deixou por menos e sapecou a frase mais gozada da se

–       O importante, no momento, é desfazer os boatos de que o país vai mal.

Isso agora é boato?

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Não sei quem nem sei onde, apontando os três maiores problemas do Brasil:

– Os três maiores problemas do Brasil são o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Do livro: Adolfo Zigelli. As soluções finais. Editora Lunardelli, 1975. Esgotado.

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