Mário Lago e a novela Presídio de Mulheres

Publicado em: 02/10/2005

Na década de 50, as radionovelas eram ainda as campeãs de audiência. Exatamente como ocorre hoje com as novelas da TV Globo. Mário amava  trabalhar em novelas e, por outro lado, dizia que elas eram fabricadas em massa, como sabão, produzindo arremedo de galas e jovens sonhadoras.
Por Chico Socorro

As radionovelas funcionaram, durante as décadas de 40 e 50, como um dos  principais pilares de sustentação do rádio brasileiro.

Para Mario, elas significavam a principal alternativa de sobrevivência durante um longo tempo. E ele tinha o talento necessário  para  traduzir e adaptar novelas  do espanhol para o português, em especial os chamados novelões cubanos.

Em 1951, Floriano Faissal, Diretor Artístico da Rádio Nacional, pede a Mário para fazer a adaptação e tradução da novela cubana Cárcel de Mujeres (Presídio de Mulheres).  No meio da novela, Mário decide abandonar a tradução e começa a escrever capítulos originais. A novela retratava os dramas das mulheres envolvidas em tragédias  sentimentais  e  espelhava os valores da época. Naqueles tempos em que  o divórcio não era permitido e havia apenas a figura do desquite, a separação, com as suas complicações, era um   tema predileto dos novelistas.

Mário lago e o compositor Braguinha, no Rio de Janeiro.

A novela Presídio de Mulheres foi ao ar durante  5 anos ininterruptos – de 1951 a 1955 e era patrocinada pelo Laboratório Sidney Ross. A Sidney Ross era um dos maiores anunciantes da época e a novela era recheada de mensagens de produtos como: Sabonete Linda Ross, o famoso Talco Ross, o então líder  na categoria Melhoral, o anti-séptico Astringosol e as antológicas Pílulas do  Dr. Ross, recomendas para fortalecer o organismo feminino.

Pinçamos, um diálogo da novela Presídio de Mulheres que reproduz bem os valores sociais e os preconceitos da época com relação ao tema da separação do casal.

As falas se referem à  jovem Ana Maria,  que pretendia desfazer o seu casamento com  Miguel e pedir o desquite e à  sua amiga Violeta.

“Violeta: —- Ana Maria, seja franca comigo. que há entre você e Miguel?”.
Ana Maria—–:  O que tinha que haver mais cedo ou mais tarde, Violeta. Tive a sinceridade de dizer-lhe que não o amo e que nosso casamento é uma farsa…. que seria um absurdo ficarmos mantendo essa situação.
Violeta: —– Você não acha que está sendo muito  precipitada?
Ana Maria:—– Pensei muito nisso!
Violeta: —–Não creio que haja motivos para solução tão violenta. Você já pensou no que significa o desquite, nas conseqüências que traz, principalmente para a mulher?
Ana Maria:—– Não posso continuar ao lado de um homem que não amo!

Com o desenrolar da novela, a situação  do casal se torna cada vez mais tensa e  amplia-se o conflito com a inserção na história de um terceiro elemento, o cunhado de Ana Maria,  formando o previsível triângulo…


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