Mario Lago, um ícone do rádio brasileiro

Publicado em: 22/08/2005

Na história artística do País existem raras figuras como Mário Lago.
Carioca, nascido em 26 de novembro de 1911, Mário Lago exerceu no rádio várias funções: locutor, ator, adaptador de textos e novelista.

Para se ter uma idéia da paixão de Mário Lago pelo rádio, basta citar um comentário de sua esposa Zeli. Devido ao seu envolvimento com o rádio, Zeli dizia que o rádio era a amante de Mário Lago e por essa amante ele estava disposto a fazer qualquer coisa.

É muita curiosa a maneira como Mário Lago ingressou no rádio em 1944 e também as suas primeiras reações com o “estranho” meio.

Naquela altura, sua principal composição, Amélia, já fazia sucesso em bairros paulistanos populares como Brás, Bexiga e Barra Funda. Mário chega ao rádio paulistano pelas mãos do autor teatral Oduvaldo Vianna que, ao assistir a sua atuação na peça Esta noite mato minha  mulher, de Delorges Caminha, gostou da  sua voz e o convida  a ingressar na  Rádio Pan-Americana.

É preciso relembrar que na década de 40 do século XX, época de ouro do rádio, as maiores atrações para os “Caros Ouvintes” eram o rádiojornalismo e o rádioteatro.  Mário sente-se desde logo familiarizado  com ambiente informal e descontraído  do rádio e comenta: “É com o se eu estivesse de pijama em casa”. Contudo, a conversão do teatro para o rádio não era uma coisa automática. Mário estranha, no início, a imobilidade e a frieza impostas pelo microfone, apelidado de “tiranossauro”.  Habituado à movimentação no teatro, o ator, no rádio, se sentia tolhido em seus movimentos – não havia como deslocar os pesados microfones e qualquer gesto mais brusco podia prejudicar o som.

Mas a sua carreira efetiva no Rádio teria início em janeiro de 1945, quando, depois de ter tido a sua primeira experiência na Rádio Pan-Americana, ingressou na legendária  Rádio Nacional, Rio de Janeiro. A Rádio Nacional, naqueles “bons tempos”, era chamada de A Sereia dos Tempos Modernos, era líder absoluta de audiência e tinha um impacto  na população muito semelhante ao da TV Globo  em nossos dias.

Mário Lago considerava o rádio um poderoso veículo de educação e não só de entretenimento.  Falando especificamente das novelas transmitidas pelo rádio, ele dizia, antecipando o debate atual das telenovelas:“As novelas poderiam ter exercido uma função maravilhosa no rádio brasileiro: a função de educar as massas, de criar nos ouvintes o gosto pela literatura… quantos romances nacionais e estrangeiros, obras primas de autores famosos, não poderiam ter sido “novelizados” através do rádio?”

Mário Lago é o autor, ao lado de Ataulfo Alves, de um dos maiores hits musicais de todos os tempos e que virou e é, até hoje, ícone de um tipo de mulher brasileira. Estamos falando da inesquecível  Ai, que saudade de Amélia.

Verdadeiro patrimônio musical nacional e que mereceria ser tombado…


Ai que saudades da Amélia
Ataulfo Alves / Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz Você não sabe que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo que você vê você quer
Ai meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vêzes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Mas quando me via contrariado Dizia, meu filho, o que se há de fazer
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era a mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era a mulher de verdade

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