Matar Um Leão por Dia

Publicado em: 07/02/2006

Os radialistas Marcelo e Rodrigo são dois grandes amigos desde a infância, quase irmãos. Decidiram economizar durante três anos para a realização de um sonho: vivenciar um safári nas selvas africanas.
Por Léo SaballaApertaram o cinto em tudo e o que sobrava era depositado para a tal viagem. Riscaram o lazer e o consumo supérfluo do seu cotidiano. Pactuaram gastar apenas o necessário para viver fransciscanamente. Economia passou a ser a palavra de ordem da dupla. Depois de tanto sacrifício o dia tão esperado chegou. Com as passagens na mão, choraram abraçados voaram para o continente africano. A aventura se desenrolava como nos filmes de Tarzã, até ouvirem o rugido de um leão durante a madrugada. Parecia um trovão. Marcelo olhou para o amigo e perguntou por que ele calçava apressadamente os tênis.
– Por acaso você pensa que vai correr mais do que o leão? – insistiu.
– Claro que não. Para mim basta correr um pouco mais do que você – respondeu Rodrigo, embrenhando-se desesperadamente pelo único caminho aberto na mata.
Esta estória ilustra um acontecimento recente da vida real. Uma garota, estagiária de uma grande empresa encomendou a morte de duas colegas de trabalho para garantir o seu emprego. Depois de ouvir do chefe que só seria efetivada se as colegas morressem, ela não pensou duas vezes e com a ajuda de um primo partiu para o extermínio. Farinha pouca, o meu pirão primeiro. Virou notícia de televisão e chocou o país.
Fico imaginando se a moda pega. Muita gente vai ficar com as barbas de molho, olhando desconfiado para os colegas hierarquicamente inferiores, aspirantes a um cargo que pode ser este que você está ocupando. Na dúvida não se deve ficar sozinho na sala com o provável assassino. Dê uma desculpa e saia para tomar um cafezinho. Arrume a posição da mesa para que você não fique de costas, no caso de um atentado. Evite também entrar no mesmo elevador quando não houver outros passageiros. Invente a desculpa que esqueceu de alguma coisa e desça pelas escadas. Importante: não coma e não beba nada oferecido por mãos homicidas e, acima de tudo, nunca, jamais entre no carro de quem vai lucrar com a sua morte. Os antigos já diziam: “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.


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