Memórias do rádio – Respondendo a Odirley Prada – 3

Publicado em: 06/04/2009

Lembra leitor amigo que na semana passada eu terminei o capítulo dando a entender que ia mudar de assunto; quer dizer, dar um pulo no tempo.

Agora, resumindo, mesmo: Rádio Colombo, Rádio Ouro Verde. Interrompo Curitiba para ir para Itajaí. 1957: Nelson Rozembrock foi me buscar na capital paranaense. Ouviu dizer que eu era bom, ou custava pouco. Não sei. Fui para a Rádio Clube que pertencia às Coligadas. Depois troquei a Clube pela Difusora com Antunes Severo e os maiores radialistas da época em todo Estado de Santa Catarina.

O Rádio era a grande força. Ajudamos a fundar o primeiro Colégio noturno gratuito de Itajaí. O grande herói, Carlos Fernando Priess – depois perseguido e preso pela Ditadura, ele que era um idealista e que tanto lutou pelas classes menos favorecidas.

O Rádio da época vivia nas ruas entrevistando, irradiando ao vivo com todas as dificuldades das aparelhagens sem recursos. Chegava-se nos locais, pedia-se o telefone emprestado, tirava-se o bocal, fazia uma ligação improvisada com fios saindo do amplificador e fazíamos as maiores reportagens in loco.

Os programas, na sua maioria, eram altamente instrutivos, inclusive foi ali, na Difusora de Itajaí, que nasceu a Leitura de Livros, onde eu lia obras famosas na escolha de Silveira Júnior, outro de terna lembrança, hoje transformada a idéia no famoso Áudio Book, coqueluche em todo o mundo e vendido nos maiores sites de vendas de livros do planeta, música clássica explicada, tribunal do disco e tantos outros programas de rádio transformados em sucesso na televisão.

Em Itajaí se fez de tudo, tudo mesmo, que a televisão veio a fazer mais tarde. Bem mais tarde.

Também, muitos casos interessantes: um dia estava irradiando – ao vivo, sem cores – um show com Sérgio Reis, o grande astro do Rock. Sabia que ele só cantava rock? Pois bem: um engraçadinho meio riquinho foi fazer gracinha no momento em que ele, o Sérgio Reis, passava entre as mesas. Passou a mão na bunda do cantor.

O cantor, calmo, sereno, um legítimo gentleman, meteu a mão na fuça do indivíduo que deve estar rodopiando até hoje. Veja o tamanho do Sérgio e da mão dele! E continuou o show como se nada tivesse acontecido.

Radialista era como jogador de futebol hoje: quem paga mais? Vamos prá lá. Como com o dobro ninguém discute, fui para Rio do Sul. Rádio Mirador. Osny Gonçalves, Norberto Frahm – ambos de terna lembrança – e tantos nomes hoje famosos já citados anteriormente em outros escritos que te mandei.

1964: Antunes Severo, morrendo de saudades minhas, manda me dizer pra ser pioneiro de TV na capital catarinense. Desisto de uma candidatura a Deputado e vou prá lá.

TV Florianópolis, Rádio Santa Catarina, Festival Uma Canção para Florianópolis de onde saiu o Rancho de Amor à Ilha, hoje hino da cidade, do saudoso Zininho, Festival de Gente Nova (Os Snakes)…

Outras propostas. Outros caminhos. Alcides Vasconcellos de grata lembrança, ex-Colombo, vai me buscar de volta pra Curitiba. Rádio Independência, primeiro lugar de audiência em Curitiba. Volto, então. Jair Brito, Gilberto Fontoura, Elon Garcia… Só cobras!

Independência, depois Rádio Cultura a convite de Dirceu Graezer – querida lembrança – José Carlos Aguiar, o santo dono da Cultura. Vim vê-lo novamente, quarenta anos depois em Itapoá, onde faleceu. (Pô! Já notou quantas gratas lembranças?).

Ops! Segura aí que eu volto já, já na semana que vem.

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