Memórias do rádio – Respondendo a Odirley Prada – 4

Publicado em: 13/04/2009

Na Rádio Cultura, o bobalhão aqui se meteu em dívidas devido a problemas familiares (não com a minha família, claro!) estava apavorado. (Você se lembra do final do capítulo anterior?)

Aguiar e Dirceu, vendo o drama, acharam a solução: indenização. Montei jornal, inventei o primeiro Cartão de Desconto do Brasil, acredito, quando só existia cartão de crédito oficial, época em que meu contador meteu a mão no dinheiro e desapareceu. Encontrei-o, anos depois, em Cascavel. Nem toquei no assunto. Ele era muito pobre.

Comprei uma Kombi zero. No mesmo dia um desgraçado bateu nela que estava estacionada. Virou-a de cabeça prá baixo. Perdi a Kombi. Não tinha seguro e o filho da mãe fugiu.
Inventei o SPU – Serviço Público de Utilidade. Assim: juntava os documentos encontrados nas Emissoras de Rádio, Terminais de ônibus e outros. Catalogava tudo e chamava os donos. Em troca de uma gratificação, entregava os documentos nas casas dos proprietários.

Foi o ovo de Colombo, até que a polícia achou perigoso o meu negócio ser assaltado por bandidos e recolheu os documentos. Imagine onde foram parar os documentos. Faz idéia, Odirley?

Final de carreira: a maior emissora de rádio do Sul do mundo.
Rádio Clube Paranaense de Curitiba – PRB-2. Ondas médias, duas ondas curtas dando a volta ao mundo. Aqui não dá prá fazer uma relação de nomes famosos: todos já eram famosos. No mundo inteiro!
Cheguei ao ápice da minha carreira de Rádio. Da pequena e inofensiva Rádio Clube Marconi de Paraguaçu Paulista e do Serviço de Alto-Falantes Cacique, o porta-voz radiofônico da rodoviária (slogan fantástico, não é?) a Diretor Artístico da PRB-2.

A marvada pinga…
Isso mesmo, queridos leitores! Um dia, depois de uma festinha, onde fui fazer a coberta gravada e entregar uma casa que fora sorteada entre os ouvintes, entro no estúdio (era domingo, não tinha nada que fazer lá entro na cabine onde estava o Carlos Marassi (esse mesmo dos jornais nacionais atuais!) e começo a cantarolar e bater latinha. ESTAVA NO AR! O Marassi tentou me avisar, mas o bebum aqui não entendia nada. Só entendi no dia seguinte quando fui demitido por justa causa.

Resolvei encerrar a carreira de radialista. Trinta e três anos já haviam passado e partir para outras tantas. Tantas outras que não dá mais prá te contar porque não é nada sobre Rádio. É sobre Sindicalismo – vinte anos presidente do Sindicato dos Comerciários de Cascavel -, Livros, Academias de Letras, Instituto em defesa dos idosos, jornais, blogs e sites etc.

Você, caro Odirley, pode não aproveitar nada na sua tese, mas eu aproveitei para relembrar algumas coisinhas dessa tão falada vida de radialista. Radialista, mesmo! Autêntico. Vivido. Hoje, aos setenta e três anos de idade, nem ouvinte de rádio eu sou. Não tem muito o que ouvir. Nem minhas serestas. Só tem boquinha da garrafa e tuch-tuch. Depois disso, acho que você, com o saco cheio, não me pergunta mais nada, não é mesmo? Abraços do Donato Ramos. [email protected]

PS – Caro e paciencioso leitor, se você não encontrou motivos para estas revelações, quero esclarecer que a culpa toda é do Odirley que no dia 09/03/2009 escreveu:
Olá Donato… Tudo bem

Aqui é o Odirley da FURB. Estou concluindo a minha pesquisa sobre o rádio na região de Itajaí, e nela consta uma pequena biografia que você enviou por e-mail. Ela esta bem composta, com um resumo de tudo que você fez. Mas, gostaria de saber um pouco mais sobre sua passagem no rádio. Como começou sua carreira no rádio? Em que ano foi isso? Onde começou? Como aconteceu sua entrada na Rádio Difusora? E principalmente, gostaria que você falasse um pouco mais do trabalho que você realizou no rádio em Itajaí.
Donato é isso. Desde já agradeço. Abraço. [email protected]

3 respostas
  1. Carlos Marassi says:

    Caro amigo Donato.
    Quanta saudade, meu velho companheiro, um dos mais talentosos radialistas que conheci e que tive o privilégio de conviver.
    Vi sua narrativa sobre a demissão da Rádio Clube. Foi uma pena, pois perdemos o contato desde então.
    Lembro de seus escritos sobre histórias engraçadas do rádio, que deve ter virado um livro.
    Gostaria de tê-lo. Onde posso encontrar?
    Eu continuo na comunicação, ora como jornalista, ora como apresentador de cerimonial, ora como locutor de TV. Não retornei ao rádio pelas mesmas razões expostas por velhos radialistas.
    Um grande abraço.
    Apreciaria ter notícias suas

  2. DONATO RAMOS says:

    CARO AMIGO CARLOS MARASSI
    Tenho acompanhado a sua vitoriosa caminhada nos meios de Comunicação.
    Notei, também, que você não envelhece. O que é bom. Só fica mais antigo!
    Mande-me o endereço para o envio dos livros. Já publiquei dezenove. Não dá lucro, mas é divertido!
    Mande-me o E-mail, também.
    Abraços.
    Tenho saudade!
    DONATO
    [email protected]

  3. Carlos Marassi says:

    Donato,

    Meu e-mail esta a sua disposicao.
    Vamos falar.
    Abraco,

    Marassi

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *