Mensalão & as esquerdas em geral

Publicado em: 13/06/2012

selo-apontamentosA direita da América do Sul (aquilo que rotulávamos ser direita lá pelos anos de 1960) nunca andou tão faceira. Sobram motivos. E tudo oferecido gratuitamente pela esquerda (aquilo que rotulávamos de esquerda nos anos 1960). Desde que os irmãos Fidel e Raul Castro transformaram a Ilha de Cuba em “cosa nostra” (seguindo uma inefável cartilha internacional) a esquerda faz pior do que a direita fazia (inimaginável?!) quando toma o poder – sempre explorando nossa miséria e angústias. É comportamento padrão desde Stálin/Lenin: a esquerda (o que foi posto como tal nos anos 1960) no poder transforma tudo em coisa mafiosa. Quando um governante de esquerda assume passa crer que está acima do bem e do mal: manda, desmanda, mata, tortura e, assim, nada mais normal, então, achar que a riqueza do país que governa está ai para servir a ele e seus comparsas.

Veja bem, o que foi o Mensalão? A parte mais poderosa da esquerda dos anos 1960 botou a mão no dinheiro público e saiu a distribui-lo como se fosse dela. Ou seja, seguiu o que prega a cartilha na China, na Coréia do Norte, em Cuba, o que dizia a cartilha na Albânia, Alemanha Oriental, antiga União Soviética, Romênia. Nosso azar foi o ex-presidente Lula ter deficiência visual. Ele também é surdo?

Esse é o padrão da nossa esquerda (a já referida) quando no poder. Acha que pode tudo, que não precisa dar satisfação a quem quer seja, crê ter sido ungida pelos deuses e que os incomodados que se retirem.

Talvez somente Sigmund Freud explique como esse complexo de coronel de estância se incorpora nos governantes desse matiz ideológico aqui na América. Veja o Fernando Lugo, presidente do Paraguai que, embora bispo católico, achava (ainda acha) que tinha direito de fazer sexo com as mulheres que o assessoravam. Será que ele crê que veio para procriar uma raça pura? Dessa gente nada duvido.

Por outro lado, nem Freud explica por que a família de Hugo Chaves, caricato presidente venezuelano, é fissurada nas coisas que o capitalismo (que ele diz abominar) tem de mais refinado, caro, perdulário, luxuoso: perfumes, roupas, relógios, bolsas, acessórios, jatinhos, iates, piscinas. Para a aristocrática família bolivariana tudo tem que ser do melhor, afinal o bolso do povo é grande e o petróleo abundante. Justiça se faça, a família não inventou a filosofia do façam o que eu digo e não faça o que faço.

Outra: que ética cultiva Evo Morales para apadrinhar os bolivianos que roubam carros no Brasil? Ironia das ironias: combate o imperialismo brasileiro comandado pelos homens do Mensalão legalizando carros roubados e protegendo os caras da coca?!

Agora a última novidade: enquanto a presidente Cristina Kirchner persegue com mão de ferro o argentino da planície que compra dólar (a economia vai ao caos por culpa do povo?) o vice-presidente e roqueiro Amado Boudou diz que continuará comprando dólares por que tem “direito, como cidadão”, de proteger seu dinheiro da instabilidade. Eu não disse, esses caras conhecem perfeitamente “seus direitos”.

Essa é primeira questão: o governante da esquerda dos anos 60 se acha “mais igual” do que os seus. Segunda questão: não por acaso Lugo, os Castros, Morales, Lula, Kirchner, Chaves integram o primeiro time do Fórum de São Paulo que definiu a estratégia de dominação dos botocudos (nós). Lamentável que estejam longe dos ideais que moveram a geração dos anos 1960 em busca de uma América do Sul mais decente.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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