Messi X Maradona

Publicado em: 23/12/2011

Eu adoro o “futebol-arte”, entendido como prática do esporte que alia técnica, estética e objetividade. Enfim, tudo aquilo que tornou Pelé seu símbolo máximo, inatingível! Ah, esqueci de mencionar outra característica que, ao menos para mim, também é fundamental: humildade, entendida como consciência de valor, sem menosprezo ao adversário. Ao longo da história, como em qualquer esporte de contato, sempre houve um duelo entre o “bem” e o “mal”: a arte contra a virilidade, se bem todos os grandes times sempre tiveram exemplares dos dois, dosados de forma equilibrada. A “Celeste Olímpica”, como ficou conhecida a seleção uruguaia da década de 1920, desfilou elegância pela Europa, atingindo seu ápice com a conquista da primeira Copa do Mundo, em 1930.
O Brasil demorou a mostrar suas qualidades, por conta de disputas menores entre Rio e São Paulo, só despontando em 1938, com Domingos da Guia e Leônidas da Silva.
A Hungria encantou o mundo, em 1954, tendo Puskas como maestro. Em 1974 foi a fez do “Carrossel Holandês”, de Cruyff.Entre os grandes da América do Sul, a Argentina, tirando 1930, não chegava a lugar algum. Pior, via seus astros brilharem, naturalizados, em clubes e seleções italianas.
Tirando Di Stéfano, o futebol argentino só ostentava a tradição de muita “raça”, infelizmente pontuada por violência e deslealdade. No entanto, a paixão de seus torcedores é algo que admiro, embora, como toda torcida fanática, a irracionalidade beire o ridículo, com foi o caso dos que criaram a “Igreja Maradoniana”.
Não há como negar que os argentinos são nossos maiores adversários! Mas, é melhor tê-los conosco do que contra “nosotros”.No caso do Santos FC, Ramos Delgado e Cejas inscreveram seus nomes na história do clube. Não foi diferente com outros times.Essa rivalidade também não impediu que eu admirasse grandes jogadores “hermanos”, que se tornaram exemplos do “futebol-arte” ou “apenas” atacantes impiedosos, tais como: Ardiles, Kempes, Fillol, Fernando Redondo, Verón e Batistuta, entre outros.Maradona… Ninguém nega suas qualidade como jogador de futebol! No entanto, sua extrema arrogância e maus exemplos tiram o brilho de sua carreira, tornando uma figura entre o patético e burlesco.
Messi… Em minha modestíssima opinião – e embora eu não tenha visto Di Stéfano atuar -, é o melhor jogador argentino de clubes de todos os tempos!
Ele é artista, operário, pesquisador, “virtuose”: um fora de série!
Suas arrancadas são fulminantes! Seu controle de bola desafia o olhar! Seu olhar, que parece tudo ver, também transparece a naturalidade dos que fazem o que gostam com prazer e lealdade.
Por que ele não brilha com igual grandeza na seleção de seu país?
Isso é uma pergunta que deve ser feita aos que transformaram Maradona em “deus”.
A única coisa que falta para Messi atingir definitivamente o “olimpo” do futebol-arte é superar o fardo do fanatismo doméstico!Ele tem cabeça e pés para isso, sem necessidade de apelar para mãos, água “batizada”; soladas na barriga… Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) | Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: [email protected] e [email protected] | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 | (13) 97723538 | Santos – SP

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