Meu prezado ouvinte, foi assim que tudo começou

Publicado em: 17/10/2014

O mais comum no rádio do meu tempo era Caros Ouvintes. Uns poucos usavam outra expressão para se comunicar com a sua audiência: Prezado Ouvinte!

Souza e a esposa Antonieta no baile de debutaste da filha Soraya. Foto: acervo Caros Ouvintes

Souza e a esposa Antonieta no baile de debutaste da filha Soraya. Foto: acervo Caros Ouvintes

Era assim que Souza Miranda costumava falar com seus milhares (milhões, dependendo da potência da emissora) de admiradores no rádio. Vez por outra iniciava um programa com outra expressão: Saúde, alegria e bons ventos presentes. O parnanguara Osvaldo Souza Miranda sempre foi diferente. Diferente, eficiente, alegre, divertido e solidário como um bom compadre. Com sua bela e marcante voz com timbre grave e profundo, transmitia suas mensagens pelo rádio com um tom romântico que sempre caracterizou suas apresentações.

Rosa de Tango, programa que ficou famoso na Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, é o principal exemplo de como um radialista de grande talento consegue manter milhares de ouvintes atentos a cada verso dos poemas que lia ao microfone, tendo como fundo musical um bandoneon nostálgico. Souza Miranda era bom em tudo o que fazia na frente de um microfone. Encantava corações ao ler poemas, valorizava com boas interpretações, cada notícia que transmitia nos vários programas jornalísticos dos quais participou. Se era escalado para um programa de auditório, animava com gosto e bom humor. Era um astro sem a preocupação de que seu brilho fosse ofuscado por outros na mesma constelação.

Seu espirito de solidariedade sempre foi conhecido de todos os que um dia precisaram de uma palavra amiga, uma orientação para seguir subindo degraus na carreira radiofônica. Lembro muito bem de um dia em 1957, quando comecei a trabalhar como profissional no microfone, depois de um longo período como aprendiz, e sem experiência, e folego para ter start próprio, num tempo em que “só pegava no empurrão”. Souza Miranda foi a mão mágica que deu o empurrão abrindo espaço na Rádio Cultura de Curitiba, sem conhecer, este locutor e sem saber se era bom, regular ou mais ou menos.

Souza Miranda é uma saudade de milhares de ouvinte que acompanhavam seus programas e muitos radialistas que graças a seu apoio, encontraram o rumo certo na profissão. Miranda ultrapassou a marca dos 80 anos bem vividos, com um imenso número de torcedores que desejam festejar seu centenário, algum dia.

Souza Miranda desde que veio para Florianópolis em 1954 para trabalhar na recém criada Rádio Diário da Manhã, a convite de Francisco Mascarenhas, se encantou com a cidade, sua gente e os colegas que sempre cultivou. Esses laços ao correr do tempo foram ficando tão fortes que veio a se apaixonar por uma Manezinha da Ilha, com quem casou e teve dois filhos.

Souza trabalhou em emissoras de Florianópolis e São José até 2012 quando se recolheu ao convívio da família com quem convive, ao 86 anos, lúcido, esbelto e sempre alegre brincando com as palavras e fazendo chacota das suas próprias gafes.

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