Meus caríssimos Antunes e Ricardo

Publicado em: 08/07/2007

Li as observações de Aderbal Machado, velho amigo, sobre Adolfo Zigelli. Tenho a acrescentar uma coisa que caracteriza o papel do jornalismo e do rádio naquela época.

Certa vez – eu era estudante – havia uma mobilização contra critérios governamentais que inviabilizavam as casas dos estudantes na rua Esteves Junior, principalmente. Adolfo Zigelli, no programa Vanguarda, fez um comentário tão específico e objetivo que obrigou a Reitoria da Ufsc a repensar a sua política estudantil.
Quero dizer com isso que o jornalismo assumia posição em defesa de causas sociais, tanto o rádio quanto o jornal. Claro que quanto ao jornal poderia me expressar bem mais, até porque vivi quase que quatro décadas escrevendo diariamente. Mas o rádio foi valioso nas questões sociais.
Infelizmente, hoje, vive-se sobre os muros das lamentações e da culpabilidade, sem analisar abertamente as causa e efeitos sociais que a cada dia comprometem de forma violenta o tecido social.
A Imprensa precisa se comprometer com a causa social. Reitero a tese de que o jornalismo não pode e não deve ser imparcial. Ele precisa estar permanentemente comprometido com a igualdade e a razão social. Se antes tínhamos ideologias que alimentavam nossos combates, hoje estou convicto de que a ideologia é a da defesa do social, sob pena de a imprensa estar ajudando a construir uma sociedade monstruosa, aquela que permite que jovens surram uma mãe pensando que ela fosse prostituta. Fortes abraços e eterna admiração.

Laudelino José Sardá, professor e jornalista
Da Redação:
Peço permissão aos leitores para fazer este registro que não é costumeiro em nosso dia-a-dia.
Caro Sardá,
Mantivemos a forma coloquial com que escreveste o teu depoimento, porque assim se ressalta a dramática situação pela qual passa o jornalismo brasileiro e mundial, perdido no artificialismo imediatista que está destruindo o que de melhor a atual civilização criou: a solidariedade, o compromisso social, enfim. Escreva mais, companheiro. Nós e os nossos caros ouvintes, pelas manifestações que temos, se reassentem dolorosamente com o que está acontecendo. Carinhosamente seus sempre admiradores Antunes Severo e Ricardo Medeiros.

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