Meus ídolos e companheiros

Publicado em: 12/02/2010

Nem mais me recordo o nome da revista. Em 1959 ou 1960, o fotógrafo Osmar Zapellini, um mago das imagens, editava uma publicação em cores (uma ousadia para a época!), mostrando muitas imagens da cidade e expondo matérias sobre gentes e coisas.
Duas dessas matérias estão vivas na minha memória: uma sobre o Metropol, destacando Chico Preto, numa foto do atleta aplicando uma “bicicleta” à Leônidas – seu “inventor”. Metropol já era uma lenda com Mário Romancini e Dorly, seus goleiros, Sabiá, Pedrinho, Flázio, mais tarde Nilzo, Valdir Paulo Berg, Calita, Rubão (outro goleiro, o mais famoso deles, negrão folclórico e muito bom jogador), Sílvio, Márcio, Madureira, Edson Madureira (irmão do Madureira, mais novo), Vevé e tantos outros.

A outra matéria enfocava a Rádio Eldorado dirigida “pelas mãos firmes de Sérgio Luciano (Joci Pereira)”, como relatou a matéria. Compunham a emissora nomes como o de Antônio Luiz (Antônio Sebastião dos Santos, mais tarde gerente e diretor), Clésio Búrigo, Kátia (Adelaide Delci Broleis) e outros nomes, que, como os jogadores do Metropol, não lembro. A reportagem tinha fotos que me extasiavam e me faziam sonhar com o dia em que pudesse, também, até pelo atavismo inspirador que emanava em mim, ser um locutor e merecer este nome.

Em 1961 fui para Criciúma, aos 17 anos, trabalhar – e aprender, mais aprender que trabalhar – com o Aryovaldo, mano mais velho, que já tinha um nomaço consolidado na cidade. Ele era vereador do PTB (aquele legítimo, o do Getúlio, do Jango e do Doutel, que era amicíssimo do Aryovaldo) e, como tal, foi nomeado Chefe de Gabinete do prefeito recém eleito de Criciúma, o advogado Neri Jesuíno da Rosa.

Em 1962, o PTB, via Jango e Doutel, instalou uma rádio na cidade, concorrendo com a Eldorado. A Rádio Difusora iniciou na Rua João Pessoa, quase defronte à antiga sede do INSS (na época IAPETC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Empregados em Transportes e Cargas, onde se filiavam os mineiros do carvão). Entregaram o jornalismo para o Aryovaldo, que para lá me levou. Nela trabalharam Paulo Delmiro de Lima, tão logo chegou de Garanhuns, sua terra Natal (a mesma do Lula), Luiz Carlos Viana (que exibia seu programa de nome manjadíssimo, “Salão Grená”, com valsas, tangos, boleros e ritmos hoje não mais ouvidos por aí) e o Bolacha (Osvaldo Costa, com o seu indefectível programa noturno “Você, a música e eu” e ainda discotecário, o melhor que conheci, junto com o Domingos Vicente, da antiga Rádio Cultura de Florianópolis), então funcionário da agência da Varig na cidade. A Varig, por sinal, tinha vôos diários para Criciúma, pousando no Aeroporto Leoberto Leal, onde hoje é o Paço Municipal. Hoje, nem vôo mensal a cidade está conseguindo. Como o tempo age…

A Difusora foi uma aventura e tanto. Eu lia os comentários escritos pelo Aryovaldo, que preferia não lê-los, embora fosse um baita locutor. Em 1963, fui convocado para o Exército. Poderia ter retornado para a emissora, mas houve uma reviravolta política na cidade: Neri Rosa renunciou ao mandato, a Câmara elegeu o vereador Arlindo Junkes (PSD) para cumprir o restante do mandato, o Aryovaldo brigou com eles e eu “sobrei”. Em 10 de dezembro de 1964 fui admitido na Carbonífera Próspera (subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional), ainda por influência do Aryovaldo, e lá fiquei por cinco anos, até 1970, quando, após alguns “bicos” eventuais entre este ano e 1967 na rádio, nos horários noturnos (era empregado efetivo da Próspera, não podia ter outro emprego), fui contratado oficialmente. Assinou minha carteira o Dite Freitas.

A Próspera foi um bom aprendizado. Vivi ali momentos importantíssimos na minha formação profissional. Era uma grande empresa, enorme, e só no escritório trabalhavam mais de 80 pessoas, eu inclusive. O escritório era um grande salão, sem divisórias, exceto a sala fechada da tesouraria, dos chefes principais (Célio Grijó era o chefe do escritório e Moacir Jardim de Menezes o subchefe) e a Seção de Pessoal, chefiada pelo Laurindo Lodetti. Trabalhar na Próspera equivalia, naqueles tempos, a ter um emprego no Banco do Brasil. Saudade…

Nem me toquei. Só quando já tinha certo nome na cidade é que acordei do sonho sonhado quando lia a revista do Osmar Zapellini. Eu era, então, já não mais apenas um locutor, mas companheiro de trabalho de Antônio Luiz, Clésio Búrigo e Kátia.

A diferença entre nós é que nenhum deles, dos citados, está na profissão hoje. Bolacha, Sérgio Luciano e Clésio Búrigo faleceram e os demais pararam há tempos. Inclusive e infelizmente o Aryovaldo, que ainda tem muito a oferecer em sabedoria e competência, aos 78 anos. A bênção, meu mestre e irmão.

Na Rádio Eldorado e no Grupo Freitas, ou RCE, fiquei de 1970 – oficialmente – até 1992. Foram 22 anos na Eldorado (com apenas dois breves interregnos – um, em 1971, quando fiquei oito meses na Rádio Santa Catarina, do Amílcar Cruz Lima e em 1976, um ano na Rádio Diário da Manhã, em Florianópolis), na Rádio Araranguá, na TV Eldorado, na Rádio Cultura e, depois, na Rede de televisão, a partir da TV Cultura de Florianópolis. Foi uma verdadeira faculdade de jornalismo e rádio.

Essas histórias eu conto outro dia, se vocês tiverem a paciência de ler.

5 respostas
  1. Rúbia Carvalho Souza says:

    Adorei conhecer um pouco da História de Criciúma!
    Abraços! Rúbia

  2. joão roque cardoso says:

    É isto aí companheiro……como criciumense, tenho a honra de dizer que conheci praticamente todas as pessoas elencadas na história, inclusive seus companheiros da antiga Carbonifera Próspera………..Realmente é p’ra matar do coração e encher a alma de saudade………….Bolacha,Clésio,Sergio Luciano, meus amigos….seu Moacir Menezes, meu professor na Esc.Tec.de Com.,Célio Grijó que me comprou a primeira máquina de contabilidade marca OLIVETTI para o escritório da Próspera………….

    um abração

    jroquecardoso

  3. HELENA DE CASTRO says:

    QUERIDO AMIGO ESCLAREÇA-ME SE POSSIVEL O LUIZ CARLOS VIANA É O MESMO QUE TINHA APELIDO DE SALÃO GRENÁ POR CAUSA DO PROGRAMA QUE APRESENTAVA NO RIO DE JANEIRO COM O TITULO DE TANGOS A MEIA NOITE POR VOLTA DE 1960 TALVEZ ANTES E QUE QUASE MORREU JUNTO AOS AMIGOS EM UMA COMEMORAÇÃO DE FORMATURA DE MEDICINA E 2 FORMNANDOS INFELIZMENTE FALECARAM ESTA COMEMORAÇÃO FOI EM SITIO QUE TERIAM QUE ATRAVESSAR DE CANOA O MOACIR E LACERDCINHA AMIGOS DO SALÃO GRENA APELIDO POIS ERA SOBRINHO DO CARLOS LACERDA AFOGARAM-SE NO RIO PARAIBA AO VOLTAR DA FESTA E O SALÃO GRENA ESTAVA TÃO BEBADO QUE D ESMAIOU LITERALMENTE ENTÃO O BARCO NUMA CORRENTEZA RODOU ATE JOGA-LO EM UMA PEDRA E LA FICOU SALVANDO-SE E OS 2 AMIGOS EXCELENTES NADADORES AO PERCEBER A CORRENTEZA ATIRAM-SE N’AGUA FALECENDO E SEUS CORPOS SO FOI ENCONTRADO 4 DIAS APOS. POR FAVOR ESCREVA-ME É MUITO IMPORTANTE ESTA INFORMAÇÃO SAUDADES DESSES TEMPOS QUE VC DESCREVE AQUI ADOREI AS DECLARAÇÕES NESTA EPOCA MARCOU-ME MUITO O BOLERO POEMA COM CANTOR RENATO GUIMARÃES QUE FALECEU NO ALGE DO SUCESSO MUITO JOVEM AINDA ESCRVA-ME PARA MEU EMAIL E CONVERSAREMOS MELHOR .ABRAÇOS OBRIGADA PELA OPORTUNIDADE EM RECORDAR BELOS MOMENTOS HELENA…

  4. HELENA DE CASTRO says:

    CARO AMIGO JA DESCOBRI O SALÃO GRENA ERA O LOCUTOR COLLI FILHO RADIO TUPY RIO JANEIRO E FALECEU EM 2004 APOS 1 ANO EM COMA POR UM DERRAME NO HOSPITAL BEM PERTINHO MINHA DA CASA EM COPACABANA QUE TRISTE ELE SE FOI ESTAVA COM 74 ANOS ELE ERA UM POUCO MAIS VELHO QUE OS AMIGOS FORMANDOS FALECIDOS QUE ELE ESTEJA NA LUZ UM DIA TODOS NOS REENCONTRAREMOS AMORTE É UMA PIADA NA QUAL DEIXAMOS NOSSOS CORPOS DESGASTADO AQUI E ASSUMIMOS OUTRO NA SAUDAVEL JOVEM E FELIZ DO OUTRO LADO DA VIDA. ABRAÇOS OBRIGADA E OBRIGADA COLLI POR TODA ALEGRIA NA TRANSMISSÃO DOS SEUS PROGRAMAS

  5. Carlos Augusto Soratto says:

    Caro amigo,realmente a nossa criciuma teve muitas coisas boas.Nasci e me criei no ano de 1954.Grutas, escola técnica,cine rovaris,Difa e o programa da tarde com Laenio Guizi.Onde esta o nosso amigo Ariovaldo, que sempre nos recebia ” amigavelmente. ”

    abraços a todos

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