Midas e mecenas

Publicado em: 11/11/2012

Ambos eram nobres, míticos ou reais, e seus nomes são lembrados até hoje: Mecenas virou sinônimo de incentivador das artes, enquanto o “Toque de Midas” caracteriza aqueles que conseguem transformar o que tocam no “ouro” do sucesso. Entretanto, o dom concedido pelos deuses gregos a Midas transformou-se em castigo, pois, embora acumulasse riquezas infindas, não podia amar ou se alimentar, afinal, tudo o que tocava virava ouro… A riqueza material, conquistada ou herdada, não é, portanto, garantia de felicidade se não vier acompanhada de elevação de espírito. Também é verdade que ela pode provocar inveja e instabilidade social, comprometendo a felicidade de todos. Prova disso são os enormes gastos pessoais e governamentais com segurança.

O “remédio”, tanto nos tempos antigos como nos atuais, é humanizar a riqueza, dividindo um pouco do que nos sobra com quem nada tem, dando-lhes motivação, esperança e oportunidade de desenvolverem seu potencial, em prol da sociedade.

O governo deve fazer sua parte mediante atividades diretas ou oferecendo incentivos fiscais aos que investem em projetos sociais, culturais e esportivos. Muitos empresários têm correspondido a essas expectativas, financiando atividades de inserção social e revelação de talentos, principalmente na área esportiva, que tem maior alcance mercadológico.

Mas, e a cultura?

É certo que é mais fácil obter retorno publicitário financiando grandes espetáculos, com artistas famosos, em teatros confortáveis e cobrando ingressos incompatíveis com o poder aquisitivo da maioria da população. Isto, no entanto, conduz ao distanciamento do povo da cultura erudita.

No caso da música clássica – que um dia já foi popular – a situação é agravada por protocolos rígidos e pelas atitudes elitistas de alguns “cultos” e “estrelas”, que com seus estereótipos e arrogância em nada contribuem para a popularização da grande arte, com mútuos benefícios.

Mas isto está mudando: governos e empresários estão despertando para a necessidade de garantir mais do que alimentação, trabalho, saúde e educação a todos, como forma de assegurar estabilidade social e desenvolvimento.

A fome do povo não é apenas de comida, mas também de cultura!

Mas, se não faltam projetos, falta o inestimável apoio para socializar seus benefícios.

Não seria maravilhoso se orquestras e corais pudessem se apresentar regularmente e levar as obras dos grandes compositores clássicos e populares até as escolas, clubes e todos os locais onde elas proporcionassem a mesma emoção e prazer?

Essa não é e não deve ser uma tarefa solitária! Ela precisa do apoio de mecenas, que com seus “toques de Midas” levem o ouro da cultura ao coração do povo e, assim, alimentem, também, sua alma.

É como diz a música dos Titãs: “Diversão e arte para qualquer parte!”. 

Adilson Luiz Gonçalves | Membro da Academia Santista de Letras | Mestre em Educação | Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor | Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) | Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: [email protected] e [email protected] | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 | (13) 97723538 | Santos – SP

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