Milhões de olhos: é a vigilância total

Publicado em: 13/05/2011

A contribuição da tecnologia de câmeras de vídeo para a segurança das cidades é extraordinária. Boa parte da cidade de São Paulo já é vigiada por mais de 50 mil microcâmeras, a maioria em rede, 24 horas por dia. Em cinco anos, a capital paulista terá mais de um milhão. Além das câmeras internas, usadas para gravar imagens no interior de shopping centers, supermercados, hotéis e aeroportos, cresce aceleradamente o número de dispositivos instalados em lugares públicos, mais abertos, ao ar livre, em pontos estratégicos.

A evolução tecnológica mais recente e mais importante que ocorre nessa área é a das câmeras digitais. Elas nos proporcionam imagens com uma qualidade que pode chegar até a alta definição. O grande salto tecnológico proporcionado por essas microcâmeras digitais é o fato de poderem operar em rede, com protocolo IP da internet. Desse modo, num futuro próximo, milhões de pessoas poderão vigiar sua casa pelo celular, mesmo que estejam a 500 quilômetros de distância ou do outro lado do mundo.

E num futuro mais distante, como serão essas câmeras? No Brasil, a expectativa é de que em três ou quatro anos tenhamos alguns milhões de microcâmeras digitais interligadas em rede vigiando a cidade inteira e as principais rodovias do país.

Há muita gente que se opõe a esses milhares de olhos de uma espécie de Big Brother, porque dizem que eles violarão nossa privacidade. Se bem utilizadas, as câmeras não violam a privacidade. Vale lembrar que essa vigilância cada dia mais rigorosa será o preço que a sociedade terá que pagar para aumentar sua segurança.

Em breve, a tecnologia permitirá o armazenamento na própria câmera para gravar imagens com a melhor qualidade possível, em alta definição, ao longo de semanas. Isso deverá ter grande impacto sobre o mercado, com a câmera se tornando também um dispositivo de gravação. O armazenamento de imagens de vídeo deverá causar impacto mais imediato nos próximos anos – especialmente para pequenas empresas – e depois crescer para níveis de usuários de ponta em 2025. O mercado residencial deverá crescer bastante também por conta dessa característica.

A evolução tecnológica tem sido acelerada. Nos próximos 15 anos, os recursos de inteligência serão comuns. Hoje, por exemplo, as câmeras de rede podem fazer 30 quadros (frames) por segundo com qualidade equivalente à alta definição ou 1.080p (HDTV), em comparação com a tecnologia de apenas um quadro por segundo a 0,1 megapixel (Mpix) de 15 anos atrás – um aumento de performance da ordem de 600 vezes.


Martin Gren, o engenheiro sueco inventor dessas câmeras digitais e fundador da empresa Axis, esteve em São Paulo para a ISC Brasil, feira e conferência de âmbito internacional de segurança eletrônica realizada em São Paulo em abril. Ele prevê que terão grande destaque no futuro as câmeras multimegapixel e terapixel, seja para armazenar vídeos em resolução mais detalhada para fins de investigação seja para extrair trechos para uso pessoal.

A mudança tecnológica pode ser comprovada quando se considera que, para cada câmera térmica existente hoje no mundo, há 400 câmeras de videovigilância comuns. Em poucos anos, estima Gren, essa taxa passará de 1:400 para 1:50.

Segundo a empresa de pesquisas IMS Research, o crescimento anual da venda de produtos em rede (câmeras IP e encoders) deverá ser de aproximadamente 27% nos próximos cinco anos.

Só em 2014, a venda de câmeras em rede deverá corresponder a 48% do total de câmeras existentes em todo o mundo. Ainda de acordo com a pesquisa, o crescimento da venda de equipamentos de videomonitoramento, nos próximos cinco anos, deverá ser de aproximadamente 12% por ano.

Martin Gren, que inventou a câmera IP há 15 anos, em palestra feita em São Paulo, fez um histórico do vídeo em rede. Segundo Gren, até 1996, todas as câmeras de vigilância eram analógicas, sem condições técnicas de enviar vídeos pela internet. Com a criação da câmera IP, as imagens passaram a ser digitais, podendo ser visualizadas em qualquer lugar do mundo e com recursos de inteligência muito mais avançados.

A invenção da câmera IP também abriu perspectivas para novos mercados. O Brasil é um dos países em que a adoção da tecnologia IP para videovigilância se expande mais rapidamente. Segundo a IMS Research, enquanto o mercado de câmeras de segurança analógicas crescerá a uma taxa de apenas 1,3% entre 2009 e 2014, na América Latina, o mercado de câmeras de segurança em rede crescerá 39,2% ao ano, no mesmo período. Para Martin Gren, a tecnologia IP tem grandes perspectivas no Brasil.

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