Milton Jung: a internet veio para rejuvenescer o rádio

Publicado em: 31/10/2009

Mílton Jung, âncora da Rádio CBN, conseguiu, por meio de seu blog, estender o alcance do rádio. Além disso, o apresentador afirma que dedica cerca de duas horas do dia para responder os e-mails que lhe são enviados por ouvintes e também utiliza o Twitter e o Flickr publicando imagens que repórteres e ouvintes lhe enviam. Com base nesse trabalho Milton falou no IV Seminário Internacional de Radiojornalismo, realizado neste final de semana em Curitiba, relatando a experiência de utilizar o rádio para interagir com diversas mídias digitais e concedeu entrevista ao Portal Imprensa destacando a importância da interação entre internet e o rádio.

Portal IMPRENSA – De que maneira a internet beneficiou o rádio?

Mílton Jung – O rádio conseguiu sobreviver e se manter por um fator fundamental, que foi a criação da internet. Ela se tornou um meio transmissor de informação de diferentes tipos – escrito, visual, auditivo – permitiu que o rádio rejuvenescesse e ganhasse uma nova vida. Por isso, mais uma vez o rádio não foi superado. Já temos previsões de superação do fim do rádio desde a década de 40, quando a televisão começou a ser criada, à época existia uma famosa frase da revista Time: “Ouvir rádio no futuro será tão obsoleto como utilizar transporte animal”. E de lá pra cá já ouvimos e lemos vários atestados de óbitos do rádio, mas eu sempre tive a convicção de que a internet daria uma nova vida ao radio. De que ela seria o novo oxigênio do radio, e eu tenho plena convicção disso hoje, todas as pesquisas que temos hoje mostram como o meio rádio se presta a navegar na internet.

IMPRENSA – Como essas pesquisas apontam a maneira que as pessoas utilizam o rádio?

Jung – Há 10 anos quando eu cheguei à CBN estávamos migrando do telefone da rádio para o e-mail do âncora. Isso, para mim, foi fundamental, porque a partir do momento que houve essa migração ocorreu a democratização do acesso público à emissora, por enquanto no rádio eu atendo uma pessoa no e-mail eu recebo 300 mensagens. Isso deixou muito claro que as pessoas ouvem rádio e permanecem diante do computador. E é isso que as pesquisas apontam. Elas deixaram muito claro que há um percentual enorme de pessoas que ouvem rádio pelo computador, 80% das pessoas que ouvem rádio no equipamento estão diante do computador. Outros 61% afirmaram que ouvem rádio também pelo computador. E 60% ouve rádio no carro, ou seja, o número que ouvia pelo computador foi maior que a audiência do carro, que sempre foi a maior audiência do rádio.

IMPRENSA – O rádio digital seria uma nova forma de absorver com efetividade todas essas ferramentas?

Jung – Muitas pessoas investiram e acreditaram na digitalização do sinal do rádio. Eu nunca acreditei nesta tecnologia, e sempre achei que era a internet o caminho para o rádio se propagar e para mim, isso está muito claro. A maneira como muitos estavam desenhando modelo da rádio digital era excludente, muitas pessoas que hoje tem acesso ao rádio analógico não teriam acesso ao rádio digital. Acredito que o rádio na internet, isso sim, possibilita coisas maravilhosas, O fato de um ouvinte se espalhar pelo mundo, em qualquer ponto do mundo.

IMPRENSA – Qual o desafio das emissoras dentro deste contexto super- dinâmico?

Jung – O rádio oferece hoje parte daquilo que as pessoas começaram a exigir em função do costume provocado pela internet, a agilidade. Nenhum veículo tinha a agilidade maior do que o rádio. Ele está diretamente conectado com as necessidades do público. Isso faz que as emissoras de rádio tenham de se adaptar e oferecer cada vez mais recursos para as pessoas. As pessoas ainda reproduzem na internet os mesmos hábitos do que fora da internet, ouvem online como se fossem off-line. Num segundo no momento que as pessoas já começam usufruir de outras ferramentas, muitos utilizam o blog do apresentador e do âncora, ele vai lá no site para procurar isso. A fidelidade dele vai estar diretamente ligada aquilo que a emissora oferece, fundamental é oferecer jornalismo de qualidade.

IMPRENSA – Com toda essa velocidade como fica o conteúdo jornalistico?

Jung – A qualidade do jornalismo tende a melhorar com a participação maior do ouvinte, há 10 anos eu criei o hábito de responder a todos os e-mails, isso me toma duas horas por dia, primeiro porque eu sou um jornalista; segundo eu sou jornalista e nós buscamos noticias e as riquezas de informação. Essa velocidade e interação podem melhorar a qualidade da nossa pauta, com mais dados com mais pensamentos, o e-mail hoje é uma fonte de informação muito importante. O e-mail e o Twitter são os dois canais que eu uso como fonte de informação.

Portal Imprensa – Últimas Notícias | Por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista Imprensa

Colaborou Vera Lúcia Correia

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