Mílton Jung sugere: “Faça jornalismo honesto, ou venda bananas”

Publicado em: 11/11/2007

Assumo o espírito aventureiro, às vezes temerário, inconseqüente, por inteiro: não esquadrinho o mapa, em busca do endereço de destino, das melhores rotas, dos caminhos alternativos. Deixo à Fortuna. Sem essa de ladrilhador, não trabalho com piscinas, eu quero o risco ultramarino, eu quero o Mar Tenebroso, a alucinação marinha.
Por Guilherme Azevedo

Parto de carro, por isso, com uma vaga noção do lugar a que preciso chegar em horário hábil, em horário familiar, em horário previamente agendado: Rua Francisco Muniz Barreto, Jardim São Paulo, perto do Portal do Morumbi, zona sul da cidade de São Paulo, às 20h. Local da residência do jornalista Mílton Jung, âncora da rádio CBN paulistana: programa “CBN São Paulo”, de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 12h.
Com tão poucas coordenadas, claro que não chegarei. Claro também é que não titubearei em telefonar, hoje estou mais louco do que de costume. E o apresentador, que recebe, todos os dias, dos repórteres no mar da cidade, as notícias do trânsito cada vez mais caótico e violento da capital paulista, hoje se transforma em fonte de informação, em faroleiro, CET muito particular:
“Alô? Mílton? Então, estou aqui passando em frente ao colégio Guilherme Dumont Villares. Como é que chego à sua casa, mesmo?”. Ele me explica paciente, minuciosamente. Terei de pegar à direita num farol que surge depois de uma padaria; em seguida, precisarei seguir reto, até o cruzamento com uma grande avenida; e, de lá, contornar à direita; e… me esqueço.
Estaciono o carro, pergunto ao frentista do posto. O homem não sabe informar, não conhece a rua; também, pudera: a rua que pergunto não existe, combino nomes de outras ruas para formar um nome composto, diverso. Estou desnorteado esta noite, apoplético, confusão mental que reconheço.
Toca o telefone, é o Mílton: “E aí, está perdido?”. Digo que estou a caminho, pois sou otimista. Sigo pela grande avenida, viro à direita, subo – está tudo escuro –, contorno uma larga praça. E eis que surge a Francisco Muniz Barreto, meu destino. Procuro o número 83 e descubro que não há, na rua, uma lógica de numeração. Um menor aqui, outro maior bem do lado.
Outra vez, o telefone; respondo prontamente: “Já estou na sua rua, mas acho que fui para o lado errado”. Ele lembra da inconstância na numeração, diz que vai descer, para eu esperar na porta. Encontro finalmente a casa, não sem antes me certificar disso com o segurança da rua. Posiciono-me na frente da casa, um grande sobrado. Porque pareço esperar demais, arrisco o portão, encostado. Então ele vem me saudar, balançando o rabo; não temo, apesar do tamanho. É Ramazzotti, o cão. Ele, Mílton Jung, é quem surge logo depois, surpreso ao ver-me ali, coçando calmamente o cão.
Sentamo-nos à mesa da sala. Mílton oferece vinho; se ele beber também… Na manhã seguinte, acordarei com uma baita dor de cabeça. O vinho anima, in vino veritas, o vinho revela a verdade, como diziam os latinos. Deixa o Mílton falar: bananas ou jornalismo, quem vai querer o quê?
Veja o depoimento de Mílton Jung ao Jornalirismo em
http://jornalirismo.terra.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=236&Itemid=29
 


{moscomment}

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *