Moacyr Franco – O Mito da Canção Romântica

Publicado em: 03/02/2008

Moacyr de Oliveira Franco, mineiro de Ituiutaba (MG), veio ao mundo no dia 05 de outubro de 1936.
Por Agilmar Machado

Não ofenderia a memória de Chaplin se entre eles traçasse um paralelo. Ao longo de sua vitoriosa carreira, Moacyr é uma das glórias brasileiras como cantor, compositor, ator, escritor e humorista, enquanto Charlie foi tudo isso em ordem inversa de valores.
Assim como, se tivesse de falar de Chaplin, eu preferiria enfatizar seus predicados de humorista, ator e compositor, no caso de Moacyr Franco prefiro pô-lo no pedestal da glória da música romântica brasileira. Pois Moacyr Franco é o nosso Chaplin tupiniquim com todas as honras. Só os gênios criam figuras de expressão como “Doce Amargura”, uma antítese no título e uma jóia que se eternizou como um clássico do cancioneiro brasileiro. As estrofes finais são particularmente belas: “Vai, que aprendi a esperar por ti… Segue o teu sonho, se preciso eu vou, depois, juntar lágrima e sorriso, o inferno e o paraíso, de que é feito o nosso amor…”
Sessenta e dois grandes sucessos ornamentam a carreira desse artista fenomenal, sem que nenhum deixasse de ter seu lugar na preferência de milhões de brasileiros. Somente para destacar alguns, além dos já citados, poderíamos alinhar aqui: “Suave é a Noite”, “Te quero tanto, tanto”, uma merecida e perfeita versão da canzonetta napolitana  “Ti Voglio Tanto Bene”, “Luzes da Ribalta” – versão da imortal canção (e filme) de Charles Chaplin “Limeligth” -, “Que Será de Ti” – outra versão da guarânia paraguaia “Che picazu mi”, de Guerrero e Flores -, além do belo tema, também de filme, “Eu Nunca Mais Vou te Esquecer”, em que merece destaque uma expressão simplesmente divina: “…a sua ausência, mais e mais, me invade… Pediu amor e devolveu saudade…”.
Depois de 20 de janeiro de 1983, data em que o maior jogador de futebol do mundo (para mim)– Mané Garrincha – partia para sempre, vítima do álcool, e depois de uma vida gloriosa nos estádios, Moacyr explode nas paradas com “Balada Número 7”. Sete, o número da camisa do ídolo da “gambeta” (dible), ponta direito,
Mane Garrincha.
Sua ilusão entra em campo no estádio vazio,
Uma torcida de sonhos aplaude talvez,
O velho atleta recorda as jogadas felizes,
Mata a saudade no peito driblando a emoção.
Hoje outros craques repetem as suas jogadas,
Ainda na rede balança seu último gol,
Mas pela vida impedido parou,
E para sempre o jogo acabou,
Suas pernas cansadas correram pro nada,
E o time do tempo ganhou.
Cadê você, cadê você, você passou,
O que era doce, o que não era se acabou,
Cadê você, cadê você, você passou,
No vídeo tape do sonho, a história gravou.
Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado,
Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado,
No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração,
Que as jornadas da vida, são bolas de sonho driblando a emoção…

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1 responder
  1. Ana Maria says:

    Moacir Franco para mim é um gênio
    Amo todas as suas canções.
    Gostaria de saber qdo ( data) ele compôs Doce Amargura e onde está gravado a parte que ele declama na música. É simplesmente bela

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