Monsenhor Vítola conhecia o poderio que a PRB-2 tivera

Publicado em: 11/12/2011

Memórias | Capítulo 10.1 | Uma nova era

Por volta de setembro de 1973, certo dia Monsenhor Vicente Vítola, representando o Arcebispo de Curitiba Dom Pedro Fedalto, foi conversar com Ervin Bonkówski, então proprietário de fato da Rádio Clube Paranaense. Proprietário apenas de fato, e não de direito, porque a Bedois, apesar das inúmeras mudanças de comando que sofrera, ainda permanecia como concessão da empresa comandada pelo Dr. Ruy Carvalho Santos.

Homem perspicaz, sempre em dia com os acontecimentos e portador de ideias avançadas, Monsenhor Vítola estava convencido da importância dos meios de comunicação tão defendida pelo Arcebispo anterior, Dom Manuel da Silveira D’Elboux. Ele ansiava por ver a Igreja do Paraná integrada no moderno contexto da comunicação social. Com esse pensamento, com sua influência, seus conhecimentos e o seu trabalho, já tivera a satisfação de ver grupos ligados à Igreja Católica tornando-se concessionários de algumas emissoras de pequeno e médio porte em nosso Estado. Por que não sonhar ainda mais alto? Ele conhecia o poderio que a Bedois já tivera num tempo em que era quase impossível adquiri-la. Quem sabe na fase que atravessava já não fosse tão difícil. Assim pensando, com a aprovação do Arcebispo Dom Pedro Fedalto, e apesar da resistência inicial de algumas pessoas da Igreja, obteve a permissão para tentar. E estava lá, conversando com Erwin Bonkówski.

Não foi uma negociação fácil, mas após vários encontros, chegaram enfim a um acordo. Erwin resolveu vender a emissora. Precavido Monsenhor Vítola foi ao DENTEL para saber a situação da Rádio Clube. Não era boa. Muitas irregularidades indicavam a possibilidade de perempção da emissora. Especialista na arte de desfazer nós, ele não se intimidou. Entendeu que havia meios de solucionar os problemas. Compreendendo a sua intenção, o Coronel Oswaldo Bianco, diretor do Dentel, que também gostaria que a Bedois fosse salva, colaborou bastante dando as orientações necessárias. Para obter a concessão, no entanto, era preciso assumir o compromisso de sanar os problemas. Incansável e determinado, Monsenhor Vítola foi visitar alguns amigos, empresários experientes, em busca de orientação. De um deles, o conceituado banqueiro Avelino Vieira, ouviu este conselho: “Se para administrar a emissora vocês tiverem quem entenda do ramo, vocês terão êxito”.

Foram lembrados os Padres Paulinos, da Pia Sociedade de São Paulo, uma congregação dedicada ao apostolado dos meios de comunicação. Eles já eram concessionários de diversas emissoras, entre as quais a Rádio América de São Paulo. Entendiam do ramo e tinham condições de administrar essa difícil fase inicial da nova Bedois. E deu certo. Os Padres Paulinos aceitaram assumir a direção da Rádio Clube Paranaense.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos e sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 – 3252 3661. www.institutomemoria.com.br

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *