Morrendo triste na praia

Publicado em: 22/08/2006

O PEG (Programa Eleitoral Gratuito) começou amplamente comentado pela mídia e por todo mundo. Referências ao PT desapareceram, o vermelho sumiu, a estrela se foi, o nome Alckmin foi vetado, a barba do Enéas a quimioterapia levou. Parece um mundo novo onde nada mudou – apenas omissões e censuras. Dizer que a gente tem que chamar o candidato do PSDB de Geraldo porque Alckmin é difícil de dizer, é uma bobagem. Há muitos anos, não votamos em Juscelino Kubitschek? Eta nomezinho difícil! Ele venceu apesar disso.
Por Anna Verônica Mautner

Acho Geraldo genérico demais; Lula sem PT, um soco na barriga; PT descolorido, uma bobagem; estrela minimizada um suicídio que pode redundar em vitória final. Tudo pode acontecer quando tudo “tanto faz”. Foi decretado o fim da vontade popular. Já vai longe o tempo, nem falo das “Diretas Já”, mas sim do Juscelino, do Jânio, sem esquecer o Getúlio e seu herdeiro Jango. Também não há mais esquerda ou direita.
Mas não é isso que interessa a nós, ouvintes de rádio. A quarenta dias da eleição, eu ainda não decorei um jingle sequer. Estou até pensando, hoje, 18 de agosto, se tem jingle ao todo. Será que proibiram jingles? Tem uma música no começo do programa, mas não é música de entoar.
Marketeiros, marketeiros, jingle é bom. Quando pega ninguém apaga.
E as palavras de ordem? Até hoje me lembro do “Para frente, para o alto”, “Lula lá, Lula lá”, etc. O que é que aconteceu? Além da falta natural de entusiasmo, temos agora marketeiros envergonhados? Partidos se escondendo?
Foi decretada a falência geral. Falir é sempre uma vergonha. Até o dia 18 de agosto, data em que escrevo estas mal traçadas linhas, não vejo eco, não vejo saudação, perscruto o mundo à procura de esperança. Em verdade vos digo, caro leitor, que o Presidente será eleito presidente por força de uma imovível inércia.
Não. Não. Não. Eleição sem jingle e palavra de ordem não existe não. Eu sinto muito ter que assinar que em torno de mim vejo o voto dos desesperançados, que nem ao menos ostentam a panela vazia, símbolo de tantas eleições. Nem descamisados existem mais, nem cinqüenta em cinco.
Agonizamos na falta de fé. Agonia da falta de esperança. Já nem peço bons candidatos. Satisfaço-me com bons marketeiros. Qual a diferença entre a Hora do Brasil e o PEG? Na Hora do Brasil tem, pelo menos, Carlos Gomes anunciando o início.
Podemos dizer que eliminar os elementos das técnicas da publicidade talvez signifique eleição civilizada, politizada. Ao invés de jingle, palavra de ordem funcionando como mantra, estaríamos tendo eleitores pensantes que estariam a avaliar os programas, as propostas dos candidatos.
Será?!
Desejo, mas não creio.


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