Morte de um companheiro especial: Boris Musialowski

Publicado em: 06/09/2009

Final de tarde, começo da noite de 5ª. Feira (03) estou em casa escrevendo em torno do excelente músico (sax alto) Ari Lunardon, quando o celular sinaliza e ao atender recebo a informação do companheiro José Maria Pizarro, de que o Carneiro Neto, lhe avisara sobre o falecimento de Boris Musialowski. Confesso que a notícia me abateu, pois o Boris, faz parte importante da minha vida como radialista. *Zé Domingos.
Foi com ele que nos distantes idos de março de 1.957, participei pela primeira vez de um programa na Rádio Clube Paranaense, a então famosa B-2, que funcionava na rua Barão do Rio Branco. O programa apresentado às 11 horas e 45 minutos era chamado “Sua Excelência o Esporte” e durava 15 minutos. Antes de participar deste programa na noite anterior indicado pelo Moacir Amaral, então diretor comercial, que atendera uma solicitação de seu amigo João Dário Teixeira (papai) que dizia que tinha um filho que sonhava ser radialista e trabalhava em alto falantes, havia feito um teste com o sempre lembrado, Alfredo Otto e aprovado pelo Machado Neto, então diretor da equipe esportiva da Rádio Clube Paranaense, fui convidado a estar na rádio na manhã seguinte para participar de um programa com o Boris Musialowski, a quem fui apresentado na noite em que fiz o teste. Na manhã seguinte lá estava até mesmo antes das 11 horas, todo ansioso aguardando o momento, quando chegou o Boris e me orientou como era o programa e o fizemos juntos.

Depois de apresentar dois dias o programa junto com o Boris, que me colocou a vontade, me deu força e estimulo, o Machado, me chamou e perguntou se poderia substituir o Boris, em suas férias, cheio de felicidade respondi positivamente. Fiquei no lugar do Boris e depois ao mesmo tempo também cobri as férias do Martins Rebelato, também já falecido fazendo o programa esportivo das 18 horas e 30 minutos.

Desde que cheguei na B- 2, o Boris, sempre se mostrou companheiro, bom colega e isto era regra com todo o pessoal. Era alegre, brincalhão, descontraído e um radialista completo com paixão maior pelo rádio esportivo. Era um dos narradores da equipe esportiva, que tinha ainda Martins Rebelato, Osmar de Queiroz, Mário Vendramel, mais tarde vieram Augusto Reis, Norberto Trevisan, Durval Monteiro, Dias Lopes, Airton Cordeiro, Aloar Ribeiro, Marcos Aurélio de Castro, Borba Filho, João Pedro Correia (Jota Pedro) Willy Gonzer e outros. Boris, começou garotão na B- 2 e ali permaneceu anos, destacando-se também como rádio ator, humorista, apresentador de programas, repórter, participante de programas de auditório, locutor comercial, enfim fez de tudo um pouco e por isto reafirmo era um radialista completo e foi um prazer enorme tê-lo como colega. Torcia pelo Coritiba, mas o fazia discretamente, não era daqueles fanáticos, aliás muito comedido. Era de Castro, cidade que passei boa parte da infância.

Ali na B-2, o Boris, conheceu a Jaci, secretária do Martins Rebelato, numa agencia de publicidade que tinha escritório anexo a rádio e com ela se casou e viveu durante vários anos. Para ele foi um baque grande quando a grande companheira Jaci, faleceu. Continuou a vida, como funcionário do Tribunal de Contas, onde se aposentou e como homem de comunicação, inclusive durante algum tempo esteve na Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba, como contratado. Também participou de programas de televisão especialmente ao lado de Luiz Carlos Cavalcanti, falecido há alguns anos. Também esteve em programas com Dirceu Graezer, igualmente falecido. Era um apaixonado pelo que fazia e por isto mesmo um ótimo profissional. O Boris, deixa saudades. O seu corpo velado na capela da Luz e o sepultamento ás 15 horas e 30 minutos, da sexta feira (04) no Cemitério Municipal. Boris, faleceu aos 73 anos por falência múltipla dos órgãos. Estava internado há mais de 260 dias num hospital de nossa cidade. Estão de luto o rádio esportivo e o futebol paranaense.

*José Domingos Borges Teixeira

3 respostas
  1. jeremias bueno says:

    Boris Musialowski era meu vizinho, nestes últimos anos.
    Já velhinho e debilitado, de bengala (o que parecia não combinar com os seus mais de um metro e noventa de altura), andava pela calçada esbanjando a simpatia e a educação de sempre, sua marca registrada.
    Foi um grande radialista. Entusiasmou multidões. Deixa muitas saudades.

    Uma constatação: será que o rádio de hoje, com suas igrejas e os seus enlatados, permite o aparecimento de outros Boris?

  2. Antunes Severo says:

    Se você se refere ao Boris Musialowski que foi locutor esportivo por muitos anos na Rádio Clube Paranaense, ao que nos consta ele é filho de descendentes poloneses, mas já naturalizados brasileiros, como grande parte da população paranaense.

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