Mudo e perdido

Publicado em: 14/10/2012

Foi no início da década de 1950. Eu trabalhava na Rádio Marumby “a Emissora das iniciativas”. Estávamos estreando os “Walkie-Talkie”, transmissores e receptores portáteis que eram uma grande novidade. Grandes e pesadíssimos, eram úteis e cansativos.  Certo dia, a nossa equipe de esportes foi transmitir um jogo no Estádio Dorival de Brito. Era a inauguração dos refletores desse Estádio num jogo contra o “Estudiantes de la Plata” ou o “Newell’s Old Boys”, não lembro ao certo. Eu gostava de futebol e pedi ao narrador Carlos Alberto Moro para ir junto com a equipe para assistir o jogo.

Lá estando, o jogo já ia começar e o volante Martins Rebelatto ainda não havia chegado. (Chamava-se Volante o repórter de campo). O Carlos Alberto não teve dúvidas e me mandou com o pesado microfone para ficar ao lado de um gol. Quando o jogo teve início eu comecei a tremer. Eu não sabia os nomes dos jogadores. De repente, para meu desespero, um escanteio bem no lado em que eu estava e o narrador comandou:

– É com você, Ubiratan!

Hum! E quem disse que eu falei alguma coisa. Carlos Alberto Moro insistiu:

– Vai daí, Ubiratan!

Silêncio total, eu congelei, fiquei travado e nada falei. Eu estava lá, mudo e perdido sob a neblina que havia naquela noite e não sabia o que fazer. Por sorte, não demorou a chegar o Martins Rebellato e assumiu o posto.

Eu passei a dar mais valor aos narradores e repórteres e nunca mais me meti a transmitir jogo de futebol.

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