Mundo, pequeno mundo

Publicado em: 27/02/2010

Em maio de 2006, o jornalista, professor e historiador Luiz Artur Ferraretto, em sua coluna neste site escreveu sobre o professor, escritor e jornalista Luiz Amaral. Luiz, que por muitos anos trabalhou na Voz da América, identificava suas apresentações com o slogan “De Washington, Luiz Amaral”, embora ainda não seja um colunista do Caros Ouvintes, acompanha nossas atividades desde os Estados Unidos onde reside atualmente.

Então, sempre que temos algum assunto que possa interessar à atenção do mestre nos reportamos a ele. Foi assim que ao receber correspondência de uma leitora contatamos o professor Ferraretto para que intermediasse a correspondência. Gentil e solícito, Luiz Amaral escreveu à leitora e nos incluiu na cópia que reproduzimos nesta matéria.

Sâmia Oliveira (Submitted on 09/02/2010 at 11:45am):
Meu contato com o livro de Luiz Amaral é recente. Vi num sebo da minha cidade e comprei. Custou apenas 8 reais. As páginas amareladas pelo tempo o valor de 65,00 cruzeiros estampado no lado superior direito da primeira página. O conteúdo é atualíssimo mesmo tendo sido escrito na década de 60. A clareza com que ele ensina motiva até a pessoa mais desanimada com o curso. É o meu caso. Eu ainda estou com muitas dúvidas se é essa a profissão que quero seguir, pois sinto que há valorização do superficial. Sinto isso na faculdade. Nesse período resolvi que vou resgatar o que me fez escolher o jornalismo. Estou procurando mestres e encontrei, por acaso, esse grande mestre.

Antunes:
Quem vai ficar mais contente ainda é o Luiz Amaral pra quem vou enviar a msg em seguida. Grande abraço e bom carnaval, Luiz Artur Ferraretto. [email protected]  Porto Alegre – RS

Antunes Severo recebi do meu amigo Luiz Ferraretto co’pia da mensagem da Samia Oliveira que voceh teve a gentileza de lhe repassar, sabedor da amizade que me liga ao professor.  (…) Muito obrigado pelo seu gesto.  Noto que ganhei mais um amigo.  Respondi ao Ferraretto e estou respondendo a Samia., estimulando-a a prosseguir nos estudos. (…) Bela semana e um bom Carnaval para voceh e a fami’ilia. Obrigado mais uma vez. Abraco do Luiz Amaral.

Minha cara Sâmia,
O Antunes Severo teve a gentileza de repassar para o professor Artur Ferraretto, e este para mim, o e-mail que voceh lhe enviou com referências ao meu livro adquirido num sebo de sua cidade. Fiquei sensibilizado, creia-me. Não deixo, porém, de sentir o peso da responsabilidade se ele for capaz de influenciar a sua mente jovem e buliçosa na escolha do curso a seguir.

Luiz Amaral numa das fotos publicadas no artigo do Prof. Ferraretto em maio de 2006

Compreendo as suas dúvidas, motivadas, em parte, pela valorizacão do superficial, conforme você falou no e-mail ao professor Antunes Severo.  Tenho ouvido críticas à maneira como algumas faculdades administram os cursos e o estado em que os profissionais chegam às redações. Isso, no entanto, pode ser retificado pelos próprios alunos, de acordo com a formação escolar e moral de cada um. Admito, no entanto, que o mau exemplo, vem de cima, dos proprietários dos meios de comunicação, cujo compromisso com a verdade quase nunca ultrapassa o círculo dos interesses pessoais. Sobretudo numa fase em que o enriquecimento é a palavra de ordem.

Aliás, a recompensa material não é – e nunca foi, Sâmia – o grande chamariz do jornalismo, dos jornalistas.   Ele atrai idealmente pessoas dotadas de muita curiosidade, desejo de chegar ao fundo dos fatos.  É antiga a constatação de que a chama sagrada do jornalismo é a dúvida, a verificação dos fatos, a interrogação constante. Ali onde os documentos parecem instalar uma certeza, o jornalista instala sempre uma pergunta. “Perguntar, indagar, conhecer, duvidar, confirmar cem vezes antes de informar: estes são os verbos capitais da profissão mais arriscada” – frisa o jornalista e escritor argentino Tomás Eloy Martinez (lembrança viva) que arremata: “e mais apaixonante do mundo.”

O perfil ideal que se faz do jornalista é de um ser bem formado, orientado por princípios éticos, capaz de respeitar os seus concidadãos e manter alto grau de amor a seu país. Para demonstrar essas qualidades, ela precisa, porém, de uma formação tal que o possibilite transmitir os seus pensamenetos e pontos de vista ao público. O meio é o estudo e a leitura. Ler, ler sempre e com atenção, os bons autores mas nunca menosprezar os demais que podem ter alguma coisa interessante a contar.  A maneira de fazer os pensamentos chegar ao público varia com a formação e o estilo de cada.

O jornalista e escritor, Tomás Eloy Martinez, disse no último ano do século passado, e que há pouco citei,  tem plena certeza de que “o jornalismo que faremos no seculo 21 será ainda melhor do que o estamos fazendo, agora, e ainda melhor do que aquele que nossos pais fundadores faziam no início do século que se desvanece”. Transcrevo o pensamento de Martinez, Sâmia, mas quero fazer uma ressalva: nutro por alguns jornalistas fundadores e atuais, falo dos brasileiros, o maior respeito.
Para terminar, Sâmia, o recado para você do autor e professor dos cursos de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, e por quem tenho grande admiracão, Artur Ferraretto, ao qual me associo: “Não desista, Sâmia!” Um abraço, Luiz Amaral

Leia mais: “De Washington, Luiz Amaral” na coluna de Luiz Artur Ferraretto, publicada em 9/5/2006 no site www.carosouvintes.org.br

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