Não precisa ser profeta…

Publicado em: 14/07/2012

Quero estabelecer um parâmetro entre a vida urbana de algumas cidades nem tão grandes, como Florianópolis, e o triste destino do setor industrial de Santa Catarina para concluir que realmente temos de demitir os governantes, despedir os técnicos e fechar as universidades: fomos reprovados. Veja uma coisa: até 1950, a maior riqueza deste Estado estava centrada na madeira. Quase 100% dos impostos que engordavam o Tesouro do Estado vinham da derrubada de árvores e de sua transformação. Acabamos com as florestas, mas, de certa forma, na seqüência, a criação do IBDF – Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal, antecessor do atual IBAMA, prevendo a falta de madeira para os 10 anos seguintes, criou o incentivo para o plantio de árvores e a escolha foi, como não poderia deixar de ser, imediatista: pinus e eucalipto.

Sugiram novas formas de exploração florestal, que foram as indústrias papeleiras, enquanto as serrarias eram fechadas quase todas.

Logo a seguir, quase os mesmos empresários da madeira tiveram a idéia de partir para novos ramos: vieram os frigoríficos, as cerâmicas, a indústria metal-mecânica, têxtil etc.

Detalhe: o meio ambiente continuou completamente desprezado, tanto que todos esses ramos citados já nos primeiros anos de atuação causaram enormes prejuízos à Natureza.

Moral da história: fomos buscar nossas riquezas submetendo a Natureza à tortura.

Consertamos alguma coisa desde que IBAMA, FATMA e algumas fiscalizações municipais se fizeram valer, mas hoje estamos diante do dilema: produzir animais confinados para a agroindústria está impraticável e esse ramo vai sofrer profundas alterações em Santa Catarina. A indústria têxtil já entregou os pontos porque o Estado não produz matéria-prima e o frete para vir de onde vem e para voltar para onde tem comprador, anula o lucro. O setor cerâmico deve estar de alerta porque o boom da construção civil está acabando.

Por fim, quero me referir ao automóvel e, por extensão à indústria metal-mecânica do nosso Estado e aos congestionamentos de tráfego. As cidades continuarão usando e aumentando o número de automóveis por quanto tempo? Parece que a nossa resposta também prenuncia uma crise para o setor da indústria de automóveis.

Sobra o que?

Bem, você dirá ainda temos muito pinus para desmanchar e fazer papel. Mas, quem sabe, sabe. O uso do papel está sendo desestimulado, os jornais (grandes consumidores) estão indo pra internet.

Sobra, de fato, o setor cultural que pode contribuir para o turismo e que não tem a concorrência chinesa.

Para finalizar devolvo a pergunta: cadê os especialistas para proporem uma estratégia econômica para nosso Estado?

A opção será o incentivo ao êxodo urbano? Inverter a tenebrosa tendência que trouxe do campo 90% da sua população?

Com a palavra quem tenha autoridade para falar. Não só falar, fazer.

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