Natal das Marias

Publicado em: 22/12/2010

AudioDOC | Pesquisa
 
Existem muitas Marias no mundo, começando pela mãe de todas – a Maria que veio de Nazaré. Mas quando olhamos para o céu, as que procuramos são aquelas três Marias, que passaram a habitar as noites em forma de estrela, após terem cumprido sua história.  Você sonha com a luz estelar das Marias no desejo de encontrar algum caminho. Porque os homens antes de Cristo já olhavam para o céu ao se perder sob a Terra, e as estrelas funcionavam como guias nesta busca por algum porto seguro. As três Marias estão lá no firmamento, brilhando quase discretamente para orientar os que habitam o hemisfério sul. Mas existe a lenda, sublinha o astrônomo Alexandre Cherman, narrando a história das três mulheres corajosas, abandonadas à sorte em conseqüência de suas crenças.

 Quantos de nós já não foram abandonados – e até por si próprios – por acreditar em algo incomum?  Marias ninguém  As Marias: Maria Madalena, irmã de Lázaro; Maria Salomé, mãe de Tiago e João; e Maria Jacobé, parente da Virgem Maria. O rei Herodes Agripa comandava a Palestina e no ano 44 ou 45 perseguia os cristãos. Mandou jogar as Marias no mar, dentro de um bote a deriva. As Marias e o mar Mediterrâneo se viram sós, naquele ano cristão. E navegaram porque, como disse o poeta português…

 “navegar é preciso… viver não é preciso”. Marias ao mar foram condenadas. Mesmo assim não perderam fé. Ousaram acreditar em algo incomum ou fora dos padrões do que se exigia que fosse comum. Mas será que o mar condena alguém ?  O mar, para Jacques Costeau, era o melhor dos mundos, este mar que não faz mal a ninguém, é fonte de sal, peixes, vida. No mar será melhor nadar, mergulhar em busca do canto das Marias. As três Marias que agora cintilam no céu do hemisfério sul um dia foram três simples mulheres jogadas ao mar por um rei incomodado pela fé cristã. Sobreviveram.
 
A frágil embarcação resistiu, na força espiritual das passageiras, e atravessou o mar Mediterrâneo, alcançando a costa do sul da França. Desde que as Marias pisaram seus pés molhados na terra francesa, este local passou a ser chamado de Saint Marie de La Mer: Santa Maria do Mar. O que pode haver de sagrado nos pés de uma Maria?   O cinturão do grande caçador para a astronomia, o que está no céu pode ser entendido como um alinhamento central de estrelas da Constelação de Órion. Alexandre Cherman, astrônomo do Planetário da Gávea no Rio de Janeiro, lembra que a Constelação de Órion segundo a figura clássica, forma o cinturão do grande caçador.  As três estrelas neste cinturão são conhecidas na astronomia como Alnitak, Alnilan e Mintaka; estes nomes significam: cinto, pérola e faixa.  Cinto perolado de estrelas nesta faixa celeste, que um dia foram Marias de carne e osso. Em dezembro, se aproximando o Natal, convém olhar o céu e lembrar que as Marias, antes de serem estrelas-guias dos viajantes, são mulheres em suas rotas dispostas a iluminar com sua coragem o que pode ser um belo caminho, aqui mesmo. Caçar estrelas no céu, encontrar Marias na terra.
 
Parte do roteiro de um programa de Natal da série RÁDIO MUTANDIS que realizei durante três (1997-2000) anos para a MEC-FM. E sim, já é possível ouvir estrelas! Quem quiser escutar, basta visitar o site da NASA.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *