Ney Botto Guimarães, o narrador poeta

Publicado em: 25/01/2013

Izani Mustafá

Foto Rogério Souza JR/ND

Nasceu em Penedo (AL), em 7 de outubro de 1937. Ney Botto Guimarães  é modesto. Fala muito pouco sobre si. Trabalhou em rádio de 1957 a 2011. Em 56 anos foi narrador esportivo, apresentador, repórter, comentarista e diretor de equipe esportiva. Acumulou prêmios como o Troféu Ipê-Amarelo, concedido pelo Sindicato dos Radialistas da Região Norte e Nordeste de Santa Catarina, em 2003, e o reconhecimento de colegas e amigos. Gosta de escrever e é um poeta. Começou como locutor esportivo na Rádio Difusora AM São Francisco, em 1957. Dois anos depois, com apenas 22 anos, foi contratado como o primeiro locutor esportivo da Rádio Cultura AM de Joinville, pelo proprietário Jota Gonçalves. A emissora, inaugurada em 1º de julho de 1959, já na fase experimental, que teve início em 1956, fazia transmissões esportivas. Assim, em 21 de setembro de 1958, Ney transmitiu a primeira partida de futebol pela Rádio Cultura AM, em São Francisco do Sul, entre o Caxias e o Ipiranga.

Ney Botto foi o primeiro locutor a fazer uma transmissão externa de futebol fora de Joinville. As transmissões anteriores eram gravadas e depois retransmitidas. O aparelho usado para fazer essa irradiação era como uma saboneteira verde que passou a ser chamada de HS, em homenagem ao seu criador Hans Stock. Este teria sido o primeiro equipamento sem fio a ser utilizado em Santa Catarina.

A voz de Ney Botto é grave. “O estilo faz lembrar os grandes narradores do rádio brasileiro como Pedro Luiz e Edson Leite”, afirma o amigo e radialista José Eli Francisco. Para Ney, um dos momentos mais marcantes foi a cobertura do jogo entre Brasil e Paraguai, em 30 de setembro de 1969, no estádio do Maracanã?, no Rio de Janeiro, que classificou o Brasil para a Copa do Mundo de 1970. Naquele dia, mais 180 mil pessoas assistiam a disputa. Na transmissão da Rádio Cultura AM, Eli Francisco fez a abertura, ele narrou e Giovani de Lima foi o repórter de pista. “Uma cobertura inesquecível”, revela. Mas a narração mais emocionante foi o gol de número mil de Pelé, em 19 de novembro de 1969, no Maracanã. O gol do Rei Pelé pelo Santos contra o Vasco foi numa cobrança de pênalti.

Narrar jogos nas décadas de 1960 e 1970, exigia muita paciência e profissionalismo. “Era de uma dificuldade muito grande porque não tínhamos o sistema de transmissão a quatro fios, ou seja, não tínhamos o retorno daquilo que estávamos fazendo. Então, contávamos de um a três e iniciava-se a transmissão e seja o que Deus quiser. Somente no dia seguinte e? que sabíamos do sucesso ou do fracasso da transmissão esportiva”, recorda Ney.

O radialista, por ser um poeta, também era criativo. Uma qualidade que apresentou aos ouvintes quando narrou um fato inusitado: a primeira demonstração das águas dançantes na Festa das Flores de Joinville, realizada na Sociedade Harmonia Lira. A ideia das águas dançantes foi do técnico Rudolfo Stutzer, que ajudou a montar o primeiro refrigerador em Joinville e deu início à fábrica Consul.

O radialista conquistou milhares de ouvintes, trabalhou com dezenas de radialistas e em outras rádios, em Fortaleza (CE) e na Bahia, onde morou por alguns anos. Sem citar nomes para não cometer injustiças, afirma que muitos eram “profissionais vibrantes”. Por ser pudico, não costuma dizer que é for- mado em Direito, curso que começou quando estava com 50 anos. Atualmente, é advogado e trabalha em São Francisco do Sul, ilha situada ao norte de Santa Catarina.

Fontes: Depoimento de José Eli Francisco, em entrevista à jornalista Izani Mustafá, em 21 de maio de 2012. | Depoimento de Ney Botto Guimarães, em entrevista à jornalista Izani Mustafá, em 17 de maio de 2012. | Site Caros Ouvintes – www.carosouvintes.org.br, acessado em 7 de maio de 2012. | Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro.  Página 304.

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