No limiar dos anos 40

Publicado em: 10/08/2005

A década de quarenta foi um período de suma importância para o rádio brasileiro. Foi nela que se forjaram os moldes que fariam dos anos 50 a “Era de Ouro do Rádio Brasileiro”.
Por Agilmar Machado

Para quem trabalhava no rádio interiorano o exemplo vinha sempre das melhores emissoras do país, dos mais conceituados horários produtores e apresentadores.

Em boletim informativo ninguém conseguiu alcançar a fama do Reporter Esso, especialmente aquele que apresentava, Herón Dominguez. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, em 8 de maio de 1945, foi o único dia em que o competente Herón perdeu o “furo” jornalístico para Décio Luiz, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no noticioso “Quando o galo canta, o Cacique Informa”. Assim mesmo muitos aguardaram a “palavra credenciada” de Herón para crer no que escutavam.

A Rádio Nacional, acostumada a vencer todas, jamais conseguiu – no entanto – derrubar o conceito de um jornal radiofônico de categoria ímpar: o Grande Jornal Falado Tupi (de São Paulo).

Para aquela época era coisa muito avançada! A competente direção do Jornal Tupi, da emissora de Chateaubriand, esteve sempre entregue ao jornalista Corifeu de Azevedo Marques (hoje nome de uma moderna avenida em São Paulo).

Fundado em 3 de abril de 1942, entrava no ar às 22 horas, tendo como locutores, Ribeiro Filho, Alfredo Nagib, Mota Neto, Aurifebo Simões e o próprio Corifeu (que tinha uma voz sofrível, pois era muito aguda e
fina).

O pomposo prefixo/sufixo era o tema “O maior espetáculo da Terra”, um dobrado vibrante que depois se generalizou até nos grandes circos durante as apresentações de números mais radicais (como no filme do
mesmo nome) através de projetores de som internos.

Carlos Spera foi um dos mais destacados repórteres do Grande Jornal Falado Tupi. Era preciso, afoito, peitudo, como se diria nos dias de hoje…

As lições deixadas pelo Grande Jornal Tupi passaram a pautar todos os jornais de maior duração de emissoras interioranas, distribuídos entre comentário inicial, notícias do exterior, notícias do país, informativo regional e notas locais.

Só que enquanto o Tupi se valia dos teletipos, nós, por aqui, nos valíamos do heróico e tradicional jornal gaúcho Correio do Povo e ainda do velho e querido jornal O Estado (ambos em circulação até hoje). Foi, então (no noticiário internacional e brasileiro), a era do “reporter gillete”: A notícia era recortada e colada em uma folha maior para que dois locutores pudessem apresentá-la…

Que tiempos aquellos…


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