Nos tempos da Rádio Araranguá

Publicado em: 23/09/2007

O Carlinhos Pacheco, filho do Valdemar, me questiona se lembro dos tempos da Rádio Araranguá. Se eu lembro dos tempos da Rádio Araranguá? Claro. Meu tempo não é o tempo do César, do Aryovaldo ou do Agilmar, é mais recente. Na contagem cronológica, nem tão recente assim, porém mais recente.
Por Aderbal Machado

Meu tempo de conhecimento da Rádio Araranguá, onde andei engaipavando minha vozinha de 14 ou 15 anos, no final da década de 1950 – quem me suscitou foi o Nélson Almeida, por interferência do Asti Pereira, então gerente. Não havia locutores disponíveis e eles acreditavam na raiz da família – Nélson idolatrava (e vice-versa) César e Aryovaldo, mais o Aryovaldo, com quem conviveu em Laguna, na Rádio Difusora.
Fiz um vexame e adorava o clima da rádio. Na sala do Nélson Almeida havia sempre engradados de Grapette (“quem bebe, repete”), objeto de permutas com a distribuidora de bebidas local, para premiar ouvintes. A gente bebia também; era livre o acesso.
Meu vexame ficou por conta da voz sem impostação, fina, infantil. Lembro do Adilson Tournier, locutor da época – que me ensinou a pronúncia correta da música “Banana Split”, que eu não sabia dizer. Adilson era o cara. Mais tarde trabalhei como Aitinho (Ailton), irmão dele; e o Arilton, que também virou comentarista esportivo, como Aitinho. Todos filhos diletos do “seu” Altícimo, farmacêutico conceituado, um gentleman, amicíssimo de meu pai (ele discursou à beira do túmulo do “velho” Telésforo, no seu sepultamento, em 22 de outubro de 1959).
Na Rádio Araranguá, sobravam, na minha época de locutor engatinhante, estórias e histórias de Osmar Cook, César, Aryovaldo, Nélson Almeida. Eles já não “locutavam”.
Nélson, em seguida, enveredou pelos caminhos de um escritório de investimentos e imobiliária. Criou a “SITI”. Lembro da propaganda preparatória do lançamento: um texto que dizia simplesmente “S, I, T, I – SITI. Que será SITI?” Soube-se depois: “Sociedade Imobiliária de Terras e Investimentos”.
Começou com um loteamento numa imensa terra do “seu” Otávio Ramiro do Canto, sogro de meu mano César e pai da Zezinha, minha diletíssima cunhada – ambos sãos e vivíssimos, graças a Deus, para me confirmar. E eles conhecem a história muito melhor que eu.
Ah, aquelas terras… Um potreiro fantástico, com gado e muito pasto e a casa do “seu” Otávio e dona Mariquinha, benzedeira de mão cheia que me curou muitos cobreiros (e curava MESMO!), pessoas que Deus deveria eternizar.
Naquela casa, lembro, “seu” Otávio e dona Mariquinha recebiam TODOS OS FINS DE SEMANA, filhos, genros e noras e netos, para dormir e comer à vontade sob os laranjais, em churrascadas colossais, à farta de tudo. E ai de quem faltasse ou viesse com desculpas de não comparecer!!
Pois conto essas coisas todas porque elas se entrelaçam no meu tempo de Rádio Araranguá.
Outra coisa que lembro: o João Carlos Bittencourt, depois locutor consagrado em Florianópolis, começou lá, também. E lembro que o Abi Bittencourt, tio dele e também locutor bissexto (era bancário de profissão, do Banco Inco), o levou para falar. O João Carlos tinha uma voz potente, embora fosse da minha idade. Fiquei com uma inveja danada quando, um dia, o Abi, falando com o Valdemar Pacheco, meu sobrinho e também radialista casual (era cartorário), disse: “O João Carlos parece o Heron Domingues” (famoso apresentador do “Repórter Esso” – “Testemunha Ocular da História”). Coisas da juventude, incongruências de uma personalidade em formação.
Fiquei muito pouco na Rádio Araranguá, naquela época. Foi quando conheci todas essas pessoas citadas e o Sadi, seu irmão “Caveira” (não me perguntem o nome, não sei) e tantos outros. E lá também começaram Antônio e Adão Vignale, mais tarde “Los Viñales”.
Em suma, meu começo marcou o que hoje sou. Depois, vieram as fases glórias de Criciúma e Florianópolis – e aí completei minha faculdade de rádio, ao lado de profissionais excepcionais e companheiros (inclusive donos de emissoras) com quem tive a honra de trabalhar.
 


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