Noticiários: o radiojornalismoo da PRB-2

Publicado em: 06/11/2011

Memórias | Capitulo 7 – 1

A notícia através do rádio sempre foi de extrema importância. Durante a Segunda Guerra Mundial, nosso povo ansiava por informações sobre as batalhas que eram travadas. No Paraná, com tantos imigrantes oriundos dos paises em luta, esse interesse pelas notícias era ampliado. A Rádio Clube Paranaense passou a apresentar edições extraordinárias, dia e noite. Estabelecendo um convênio com o jornal Gazeta do Povo, a Bedois recebia as notícias de última hora e as transmitia imediatamente.

Na Rua XV de Novembro, a mais movimentada via de Curitiba naquela época, a emissora colocou alto-falantes para que os transeuntes ouvissem as notícias. Naquele tempo ainda não havia rádio de pilha.

Ao longo da história da Rádio Clube Paranaense, essa emissora participou dos grandes eventos nacionais e internacionais, não só informando, mas também esclarecendo e orientando seus ouvintes.

Foi marcante a participação da Bedois por ocasião da renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, e durante as agitadas ocorrências que a seguiram. Membros da cúpula das Forças Armadas e políticos de expressão tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. O Congresso foi pressionado para declarar vago o cargo de presidente, convocando novas eleições. Rebelando-se contra isso, o governador do Rio Grande o Sul, Leonel Brizolla, iniciou a resistência legalista. Brizolla encampou a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, criando a Cadeia da Legalidade cujos pronunciamentos eram retransmitidos por outras emissoras.

A Rádio Clube Paranaense que, com suas poderosas Ondas Curtas, cobria todo o território nacional, era estrategicamente importante para ambas as partes: as que eram contra e as que eram a favor de Jango.

Enquanto no Rio Grande do Sul o governador Brizolla, em pronunciamentos constantes pelo rádio, conclamava o povo para “resistir ao golpe”, aqui ainda não tínhamos a definição do governador Ney Braga, e já estávamos com tropas em nossos estúdios. Na sacada do prédio da emissora na Rua Barão do Rio Branco, foram colocados sacos de areia e atrás deles se posicionaram soldados com metralhadoras. Os transmissores da Bedois no bairro do Atuba, também estavam protegidos por tropas.

Foi assim: Moacir Amaral e Ubiratan Lustosa ficavam de plantão permanente nos estúdios da emissora e transmitiam notícias, enquanto Sérgio Fraga, Mário Vendramel e Bóris Musialowsky permaneciam no Palácio Iguaçu para transmitir boletins e pronunciamentos do governador e outras autoridades. Houve momentos de tensão quando eles nos informaram, em off, que dois generais vindos de Brasília haviam chegado ao Palácio e estavam reunidos com o governador.

Algum tempo depois veio a informação com a declaração de Ney Braga em apoio aos militares. Daí em diante passaram a ser transmitidas manifestações de autoridades conclamando os sulistas a apoiarem os que eram contrários à posse de João Goulart e, aos gaúchos em especial, para não entrarem em armas.
O impasse só terminou quando o Congresso aprovou emenda à Constituição instituindo o regime parlamentarista. João Goulart assumiu a Presidência em setembro de 1961. Nessas ocasiões de crise tem mais realce a extraordinária força do rádio e se destaca o temor que muitos têm desse veículo.

A Rádio Clube Paranaense esteve presente, também, informando e orientando seus ouvintes, quando se deu a revolução em que os militares assumiram o poder, em 31 de março de 1964. Foram dias de grande tensão que exigiram muito cuidado. No período do governo militar tivemos que tomar muitas precauções, efetuando o controle ao qual as autoridades chamavam de autocensura. Os censores não compareciam à emissora, o que era bom, mas a gente é que tinha o compromisso de cuidar para que não fossem transmitidos comentários, críticas e notícias que contrariassem as autoridades do novo regime, o que era ruim; a gente estava sempre tenso. O temor dos diretores da Bedois era que algum locutor, ao emitir uma opinião pessoal, pudesse prejudicar a emissora. Em São Paulo, não foi renovada a concessão da Rádio 9 de Julho, emissora católica muito ouvida em todo o Brasil, em represália por ter transmitido enérgicos pronunciamentos de D. Paulo Evaristo Harns, contrários ao regime militar.

Foi um período de muitas dificuldades, só amenizado pelo excelente relacionamento que tínhamos com os diretores do DENTEL em Curitiba. Enquanto pôde e dentro do possível, a Bedois sempre procurou informar e orientar os seus ouvintes.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 3352-3661. www.institutomemoria.com.br

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