Novos rumos, novas coisas

Publicado em: 24/06/2007

1. “Novos rumos, novas coisas ao meu redor
Novos caminhos, mil destinos e um novo amor
Novas chances, posições, novos beijos
Novos planos, novos crimes perfeitos
Novas paisagens de um novo começo de um louco amor…
Por Elóy Simões

Novas manias, altas contas de telefone
Novos amigos, nova turma de novos amigos em comum
Novos sonhos, novos horizontes
Novos porres, novos outros ciúmes
Novos reflexos de um amor recheado de novas saudades
No meu mundo só existe você
Que não me deixa esquecer
De suas unhas arranhando minhas costas
Enquanto os gelos derretem
Sorri e acende um novo cigarro.
2. O rádio, esse eterno Phenix, está às vésperas de uma nova onda: de um lado, o rádio digital. De outro, o rádio público. Ambos, destinados a influenciar a forma como esse meio atua hoje.
Vamos por partes.
3. A contrário do que ocorre com a televisão digital, motivo de longas e às vezes profundas discussões, do rádio digital pouco se fala. E como se fala pouco, socorro-me de um expert, o Ethevaldo Siqueira, do jornal O Estado de S. Paulo.
Na edição de 10 deste junho, ele afirma, entre outras coisas:
Por que digitalizar o rádio? Por muitas razões, mas principalmente porque esse avanço tecnológico melhora a qualidade das recepções, possibilita a convergência com outros meios e tecnologias, abre perspectivas de interatividade, de maior estabilidade nas transmissões, de economia de espectro de freqüências e de incontáveis aplicações.
Concretizar esse projeto, no entanto, tem sido um dos maiores desafios de todos os países que se decidiram a digitalizar sua radiodifusão sonora. O Brasil está, em princípio, aberto a testes com todos os padrões disponíveis no mundo.
Ethevaldo destaca dois padrões, favoritos em princípio: o norte-americano Iboc (In Bando n Channel) e o europeu DRM (Digital Radio Mondiale), cada um com suas vantagens e desvantagens. E informa que possui equipamento que lhe permite experimentar os dois.
Sobre o funcionamento dos sistemas, conta a experiência que vive com os equipamentos que possui:
Comecemos pelo pior caso, que é o das transmissões AM. Na expressão de um técnico, “a qualidade do rádio digital é ótima, desde que funcione”. Na verdade, ele funciona de modo razoável apenas durante algumas horas por dia, vencendo com dificuldade os problemas de poluição radioelétrica que dominam a Grande S. Paulo. São motores elétricos, 6 milhões de veículos, indústrias, 7 milhões de celulares, emissoras de alta potência e 15 mil rádios piratas. 
Nas transmissões FM, enfrento outro problema desconfortável: a alternância de sintonia entre os sinais digital e analógico, tendo de ouvir a transmissão digital com atraso (delay) de 8 segundos, o que causa a repetição e o corte de trechos da informação, seja música ou notícia, em pontos de sombra da Grande S. Paulo.”
E eu? O que penso?
Penso que quero saber mais. Que as entidades que lideram o setor precisam colocar a discussão desse assunto na ordem do dia.
4. E aí veio o governo e anunciou, no 24º. Congresso da Abert, que está trabalhando firma na instalação da rede pública de rádio.
O que eu penso disso?
Uma enorme preocupação.
De um lado o governo, parlamentares e algumas autoridades, critica fortemente a atuação dos meios de comunicação,  “claramente oposicionistas”, disse outro dia José Dirceu. E o presidente da República diz que considera normal o governo Chavez ter cancelado a autorização para a principal emissora de TV da Venezuela atuar: “o governo dá, o governo tira”, disse textualmente. Para mim, uma ameaça. sutil, mas ameaça. Tipo: comportem-se, porque posso fazer a mesma coisa.
5. Novos tempos, novos rumos, como diz Landau, na canção que compôs e cuja letra reproduzi aí no começo desta conversa fiada. Resta, ao setor, toma-lo rapidamente nas mãos, antes que seja tarde demais.
Quem sabe nesses novos tempos venha aí uma nova Rádio Nacional do Rio de Janeiro, com todo aquele esplendor. Ou… não quero nem pensar nisso.

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