O “gaúcho” alegre do rádio brasileiro (parte II)

Publicado em: 15/06/2005

Pedro Raimundo não teve vida fácil até seus 33 anos, quando optou por tocar sanfona como profissional contratado. Até então vagou por várias cidades como operário da estrada de ferro, porém jamais deixando de tocar sanfona.
Por Agilmar MachadoPara o catarinense do sul, naquela época, Porto Alegre sempre era a “querência”. E não foi diferente com Pedro Raimundo, antes de ir para o Rio de Janeiro. Teve uma passagem de algum tempo na capital gaúcha, tocando pelos bares e corredores do Mercado Municipal (que é o mesmo).

Um dia resolveu formar um conjunto chamado Quarteto os Tauras(*). Esse quarteto chegou a ser contratado pela Rádio Farroupilha. Isto quer dizer que Pedro, como praiano de Imaruí foi tocar música gauchesca para os próprios gaúchos ! E aí mesmo que aceitou o codinome de “gaúcho alegre”. Entre 1942/43, passou a palmilhar o interior rio-grandense.

Depois dessa relativamente curta passagem pelo Rio Grande do Sul, finalmente intentou um “tiraço” maior: Rio de Janeiro. Antes de entrar para a Rádio Nacional teve uma breve passagem pela Rádio Tupi (dos Diários Associados). Almirante – chamado “A maior patente do rádio brasileiro” – um grande farejador de talentos da época, foi quem o convidou para os microfones mais famosos do Brasil: Rádio Nacional. Alí foi o ápice da sua carreira de artista original, como original era seu gênero na emissora, pois foi o primeiro e único sanfoneiro que por tanto tempo atuou na Nacional.

É de 1943 a composição – primeira de uma série – Adeus Mariana. Para compor o disco completo (78rpm), do outro lado gravou Tico tico no terreiro. Tanto durante sua estada no sul catarinense, no Rio grande do Sul e continuando no Rio, sempre se apresentou devidamente pilchado(**). Pedro passou pelo cinema por duas ocasiões: a primeira quando participou da película “Lua na estrada”, em 1949 e, a segunda, no filme “A natureza gaúcha”, em 1958. Entre 1943 e 1961, compôs e gravou: Adeus Mariana, Adeus moçada, Chico da Roda, Escadaria, Gaúcho largado, Magoas de amor, Meu coração te fala, Na casa do Zé Bedeu, Oriental, Prece, Sanfoninha, Velha amiga (última, já na inatividade profissional), Saudades de Laguna, Se Deus quiser, Tá tudo errado (a única composição que teve um parceiro, Jeová R. Portela) e Tico tico no terreiro.

Comentam que Saudades de Laguna encerraria um segredo (que Pedro levou para o túmulo, sem confirmar nem desmentir), Quando morou em Laguna dizem que se apaixonara por uma jovem. Frustrado em seu intento pelos pais da moça, Pedro jamais a teria esquecido. Como não pudesse “homenagear” diretamente a moça, resolveu fazê-lo com a bela valsa, seguramente a melhor composição que fez (com dolente declamação): Saudades de Laguna !

(*) Denominação aos gaúchos errantes dos pampas rio-grandenses.
(**) Traje característico (completo) do peão gaúcho.


{moscomment}

1 responder
  1. Helio says:

    Sbes que a Mariana existiu na real. Viveu no interior de Santa Maria. O Pedro vinha a Santa Maria visitar um amigo catarinense que casou com a Mariana. Os filhos da Mariana existem por aqui. Ela era sanfoneira, tocava em bailes e usava bombachas. Abços. Helio.

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