O “INVENTOR” DO RÁDIO NO BRASIL

Publicado em: 05/02/2007

O adjetivo “inventor” tem uma aura, quase um estigma que fascina e provoca a inteligência humana através dos tempos. No campo da comunicação esse impacto parece ter um apelo ainda mais forte. Principalmente por se tratar de algo que se esconde nos meandros de um conceito. É imaterial, intocável, quase indescritível.
Por Antunes Severo

A lista de inventores do rádio no Brasil é grande. Há, entretanto, certa concordância de que o nosso ídolo verdadeiro e máximo tem um nome comum: Edgard Roquette-Pinto, ou simplesmente Roquette-Pinto.

Nome comum, porém, pouco conhecido. Por isso, alinhamos neste breve registro, mais algumas fontes de consulta. Veja, portanto Caro Internauta o roteiro que preparamos para você, de acordo com os objetivos do Instituto Caros Ouvintes, como está escrito e publicado neste site.
A história vem de longe
Roquette-Pinto travou conhecimento com o rádio, através de um transmissor de centelha em 1912. A declaração foi feita em palestra por ele pronunciada no Dia do Rádio Amador de 1944 e deu-se quando viajava num velho navio do Loide em expedição científica ao Mato Grosso como parte do projeto do general Rondon de “unir os pontos mais distantes do Brasil por esse meio de comunicação”. Nessa oportunidade Roquette-Pinto aprendeu os primeiros sinais do alfabeto Morse com um funcionário dos Telégrafos que participava da expedição.
Mais adiante, no início da década de 1920 Roquette-Pinto, retoma suas experiências repetindo experiências feitas pelo professor Lefèvre, de Reims, na França, recebendo os sinais da Torre Eiffel, mediante um músculo de coxa de rã.
Em 1922, o médico e educador Roquette-Pinto acompanha e participa das experiências promovidas pelos organizadores dos festejos do Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 1923, cria e monta a PRAA – primeira “primeira radiodifusora do país, hoje Rádio Ministério da Educação e Cultura, ou simplesmente Rádio MEC”.
O personagem
Edgar Roquette-Pinto, antropólogo, etnólogo, médico, poeta e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, em 25 de setembro de 1884 e passou a infância ao lado dos avós, em uma fazenda próxima a Juiz de Fora.
Aos 21 anos se formou em Medicina. Teve carreira vitoriosa como médico, mas logo partiu para a  Antropologia. Como professor de Antropologia do Museu Nacional participou na qualidade de Delegado do Brasil no Congresso de Raças, em Londres.
Aos 28 anos voltou ao Brasil e seguiu para o interior de Mato Grosso, integrando uma das comissões do sertanista marechal Cândido Rondon.

Edgar Roquette- Pinto era apaixonado pela natureza desde os tempos da infância e nesse período de trabalho no Mato Grosso manteve contato direto com os índios Nhambiquaras. O encontro com os índios levou-o a lançar sua maior obra literária, intitulada “Rondônia”, uma das mais notáveis contribuições à Etnologia Brasileira.
Foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 17.
Fundou o Instituto Nacional de Cinema Educativo, a Revista Nacional da Educação,  Sociedade Rádio do Rio de Janeiro e a Rádio Escola do Distrito Federal, atualmente Rádio Roquette Pinto.
É considerado o “pai da radiodifusão” no Brasil. Um dos episódios que justificam esse título se deu por ocasião da inauguração da Exposição Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, a 7 de setembro de 1922, no Rio de janeiro, quando o rádio foi apresentado ao Brasil.  Edgar Roquette-Pinto se interessou de imediato pelos equipamentos e, sobretudo, pela “estação radiofônica” instalada no Corcovado.
No começo de 1923, convicto de que era primordial fazer rádio no Brasil, conseguiu sensibilizar com suas idéias o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Dr. Henrique Morize e outros companheiros, nascendo assim, no dia 20 de abril daquele mesmo ano, a primeira estação de rádio do país, a SPE, posteriormente PRA-2, Sociedade Rádio do Rio de janeiro, atualmente Rádio MEC.
Fontes
:: Vera Regina Roquette-Pinto. Roquette-Pinto, o rádio e o cinema educativos.
:: Revista USP – 80 anos de rádio. Dezembro, janeiro e fevereiro 2002-2003.
:: Lílian Zaremba. Fronteiras invisíveis: Rondon e Roquette-Pinto num sonho de rádio educativo brasileiro. Rádio brasileiro – episódios e personagens. Doris Fagundes Haussen. Magda Cunha (orgs.). Porto Alegre: Intercom-Epucsrs, 2003.
:: Reynaldo C. Tavares. Histórias que o rádio não contou – do rádio galena ao digital, desenvolvendo a radiodifusão no Brasil e no mundo. São Paulo: Harbra, 1999.
:: Ricardo Medeiros. Lúcia Helena Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999.


 

Links relacionados

 

:: www.radiomec.com.br
:: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1349379-EI6794,00.html
:: http://pt.wikipedia.org/wiki/Roquette-Pinto
:: http://www.biblio.com.br/conteudo/biografias/roquettepinto.htm
:: IstoÉ

 

 


 

Matérias publicadas no portal Caros Ouvintes

 

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