O adeus a Renata Fronzi

Publicado em: 19/04/2008

A partida da atriz Renata Fronzi no último dia 15, aos 82 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos provocada por diabetes, deixou enlutado todo o mundo artístico brasileiro, especialmente aqueles que tiveram a oportunidade de atuar com ela, nos tempos pioneiros da TV Coligadas em Blumenau.
Por Carlos Braga Mueller

 No início dos anos 1970, Renata já trabalhava em televisão e vinha a Blumenau de 15 em 15 dias para apresentar-se em um programa vespertino dedicado ao mundo feminino, onde ao lado de Valmira Siemann falava sobre moda, saúde, culinária, fofocas… Era a Ana Maria Braga da época. Posso me enganar, mas pelas lembranças, ela tinha o patrocínio da Socilca, que era uma espécie de ”franquia” catarinense da famosa Socila daqueles anos.
Eu atuava na TV Coligadas e como todos nós éramos iniciantes, sua presença dava uma baita confiança ao resto do elenco artístico da emissora. Afinal, Renata Fronzi, que estava ali ao nosso lado, era uma artista de sucesso nacional.
Era filha de italianos que moravam no Brasil. Seus pais, artistas de teatro, estavam excursionando com uma peça pela Argentina e foi lá, na cidade de Rosário, província de Santa Fé, que Renata nasceu no dia 1º de agosto de 1925. Foi batizada com o nome de Renata Mirra Ana Maria Fronzi.
Muito jovem, foi bailarina no Teatro Municipal de São Paulo e aos 15 anos teve sua primeira atuação profissional no teatro, na peça “Sol de Primavera” da Companhia de Eva Todor.
Seu corpo escultural e as pernas esbeltas logo chamaram a atenção do empresário do teatro de revistas Walter Pinto, que a levou para o Rio.
Em 1946 participou do seu primeiro filme, “Fantasma por Acaso”. Fez cerca de 30 filmes e durante uma entrevista revelou que os que mais a marcaram foram “Treze Cadeiras” com Oscarito, “Carnaval em Lá Maior ”, “Guerra ao Samba”, “De Pernas Pro Ar”, “Hoje o Galo sou Eu”, “Vai que é Mole”, “Quero essa Mulher assim mesmo”, “Assim era a Atlântida”. Além de Oscarito, atuou também ao lado de Ankito, Grande Otelo, Zé Trindade e de quase todos os grandes nomes do cinema brasileiro da famosa época de ouro das “chanchadas” (não confundir com pornochanchadas, que eram comédias eróticas). Suas últimas aparições no cinema foram em 2001 no filme “Copacabana”, e em 2005, no filme “Coisa de Mulher”.
Na televisão o nome de Renata Fronzi é sempre lembrado pelo papel de Helena, a irmã de Bronco (Ronald Golias) no famoso humorístico “Família Trapo”, que ficou em cartaz na TV Record de 1967 a 1971.
Em 1980 voltou ao lado de Golias e Nair Bello, no programa “Bronco”, na TV Bandeirantes.
Renata Fronzi também teve atuação destacada em novelas, principalmente na Globo (“Minha Doce Namorada”, “O Rei dos Ciganos”, “O Semideus”, “Chega Mais”, “Corpo a Corpo” e muitas outras). Participou da minissérie da Globo “Memorial de Maria Moura” e da lendária novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, da extinta TV Manchete.
Era viúva de César Ladeira, um dos mais famosos locutores do rádio brasileiro, falecido em setembro de 1969.
Renata estava internada desde o dia oito de março no Hospital Lourenço Borges, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Testemunhas revelaram que ela foi muito bem atendida por toda a equipe daquele hospital, que é público. Passou pela UTI e depois ficou internada até fechar os olhos, definitivamente, neste dia 15 de abril.


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