O Bilhete

Publicado em: 09/12/2012

Memória | Capítulo 19

Nos Anos 60 a Rádio Clube apresentou, durante algum tempo, às 6 horas da manhã, um programa com Militão, o Rei do Violão. Militão era um exímio violonista. Conhecia um número extraordinário de acordes, tirava sons puríssimos do seu violão e solava com maestria. Tinha um grande repertório de músicas. O seu ponto forte era a valsa “ABISMO DE ROSAS” de Américo Jacomino, o Canhoto. Dava gosto ouvi-lo tocar. Apesar de tão cedo, todas as manhãs o seu programa recebia inúmeros visitantes. Pessoas que iam para o trabalho e antes passavam na Rádio para ouvir “o rei do violão”, familiares de aniversariantes que levavam seus nomes para prestar-lhes homenagens oferecendo-lhes as músicas, e por aí afora.

Certa manhã um cidadão humilde e muito sério aproximou-se do palco onde estava o Militão e entregou-lhe um bilhete. Militão olhando o recado, sorridente e gentil, disse o seu costumeiro chavão:

– Pois não, meu amigo, com muito prazer e alegria vou ler o seu recado. Pode ser que eu passe lá pra tomar uma cervejinha com vocês. Um abraço pra você e toda a sua família. Faço votos que essa data se reproduza por muitos anos.

O cara olhou meio assustado e foi embora. Quando o locutor que apresentava o programa foi olhar o bilhete viu que se tratava de uma nota de falecimento.

Era mais uma gafe do Militão que, apesar de extraordinário violonista, não sabia ler.

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