O Comentário de Al Neto

Publicado em: 10/08/2009
Lucas Alexandre Boiteux.Subs?dios para a enciclopédia catarinense 1915-1936. In?dito. Em fichas. Fotocopiado. Acervo do Instituto Hist?rico. (Poemas & Poesias. www.poetaslivres.com.br)

Al Neto, natural de Santa Catarina. Descendente de bascos, daí o nome Neto, que é o de um cerco ao norte de Guipúzcoa (Províncias Vascongadas, Espanha), ponto de origem da família. Cursou a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, a Escola de Filosofia de Buenos Aires e a Escola de Jornalismo da Universidade de Missouri, especializando-se em rádio. Foi repórter de Notícias Gráficas (Buenos Aires) e correspondente da United Press em Buenos Aires, Rio de Janeiro e Nova York. Em 1947, foi comentarista das Nações Unidas. É autor de um romance “A ave de arribação” e um livro de viagens, em castelhano “Outra azucena en mi jardin”. Fez comentários radiofônicos irradiados por 186 estações brasileiras e publicados em 114 jornais. Fonte: Lucas Alexandre Boiteux. Subsídios para a enciclopédia catarinense 1915-1936. Inédito. Em fichas. Fotocopiado. Acervo do Instituto Histórico. (Poemas & Poesias. www.poetaslivres.com.br)

Tomei conhecimento, por intermédio do Antunes Severo, do interesse que o jornalista Luis Nassif tem em escrever a história de outro jornalista: Al Neto, pseudônimo do lageano Afonso Alberto Ribeiro Neto.

E esse interesse fez com que Nassif descobrisse as lembranças que sobre Al Neto escreveu Agilmar Machado no nosso querido blog “Caros Ouvintes”, que já se transformou em referência para os estudiosos do rádio e das suas histórias.

Não pretendo reportar-me aqui a fatos da vida do radialista e jornalista catarinense Al Neto, porque o Agilmar Machado já o fez, e com bastante brilhantismo, narrando inclusive recordações pessoais dos tempos em que manteve uma sólida amizade com ele, em Lages.

É importante, sim, que alguém reúna os textos esparsos, as recordações de contemporâneos, familiares, e que se coloque tudo alinhado em um livro, para que a história de Al Neto seja conhecida também pelas gerações presentes.

Como locutor da “Voz da América”, em um período conturbado como o da Segunda Guerra Mundial, Al Neto enfrentou muitas vezes a incompreensão de pessoas e políticos brasileiros, que enxergavam nele um títere de Tio Sam.

O que quero fazer, neste momento, é recordar meus tempos de rádio lá longe, pelo final dos anos cinquenta, quando eu era locutor (speaker) da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau e lia o “Comentário de Al Neto”.

Nunca cheguei a saber como chegavam até nós as crônicas escritas por ele, mas lendo agora as recordações de Agilmar, fiquei sabendo que Al Neto fazia pessoalmente a sua mala direta e a enviava às emissoras do Brasil. Como ele disse para Agilmar, no começo podem até jogar no lixo; um dia acabam lendo ao microfone.
Tinha razão o experiente radialista. Já se vão cinco décadas, mas me lembro que o comentário era apresentado às 10h55 e levava apenas de dois a três minutos no ar.

O diretor da emissora, Flávio Rosa, colocava no estúdio as folhas com os textos de Al Neto, presas num pegador afixado na parede, ao lado da mesa de locução. Em cada uma era marcada a data que devia ir ao ar. E nos lembrava sempre: a pronúncia é Al Neto, com acento no “e”.

Me chamavam a atenção algumas características desse programete: os comentários vinham impressos numa espécie de papel mimeografado. As frases de Al Neto eram sempre muito curtas e concisas. Jamais li algo escrito por ele que tivesse forma prolixa ou enfadonha; ao contrário, ia direto e sem rodeios ao assunto enfocado.

Influência dos comentários “certeiros e dirigidos” da sua A Voz da América? Talvez!

Confesso, leitores, que até hoje, sempre que escrevo uma frase muito longa me vêm à lembrança os “Comentários de Al Neto”.

E então, reescrevo, ou faço ponto e começo uma nova frase.

5 respostas
  1. Adalberto Day says:

    Sr. Braga Mueller
    O Al Neto realmente certamente marcou história em nosso radiofusão. São pessoas como ele, como o senhor e tantos outros que merecem nosso carinho, pois foram pioneiros em muita coisa, e em um tempo muito complicado com pouca tecnologia.
    Abraços
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

  2. Mário Osny Rosa says:

    Nos Caros ouvintes de semana passada quando falaram de tanta gente do rádio de antigamente veio-me a mente uma pergunta por que logo esquecerá Al Neto nestes relatos? Quando da antiga Rádio Tupy do Rio ou de São Paulo adorava quando jovem ouvir suas Crônicas diárias no Rádio.
    Na década de 1970 tive a oportunidade de conhecer Al Neto àquela figura que outrora só tinha o escutado as suas crônicas no Rádio de então. Foi numa palestra que o mesmo fez em Lages para professores da língua inglesa que lecionavam nas escolas do planalto catarinense vinculados na Coordenadoria de ensino de Lages. Sua simplicidade cativava a toda a platéia presente, quando relatava todas as suas peripécias como jornalista em várias partes do mundo, e foi nesta palestra que o mesmo relatou como era a alta sociedade inglesa na Inglaterra, lá a mesma não era pela posse do dinheiro mas, sim pelo conhecimento da língua uma das coisa que faltam em nosso país.

    São José/SC, 10 de agosto de 2009.
    http://www.poetasadvogados.com.br
    http://www.mario.poetasadvogados.com.br
    [email protected]

  3. Antunes Severo says:

    Caro,
    como o assunto é escrever, acrescento uma contribuição do Vilarino Wolff, em resposta a um pedido sobre se ele teria tido algum contato com o Al Neto: “Tenho visto as belas matérias do Agilmar e do site. Lamentavelmente, nada possuo sobre ele, a não ser a memória de uma bela lição. “Vilarino”, disse ele, “escrever é fácil. O difícil é escrever fácil”. Eu já o escutava nos bons tempos da Voz da América (provavelmente aos 14/15 anos) e com esta lição (lá pelos 35) fiquei admirando mais ainda, pela constatação de que as grandes lições nos chegam, às vezes, passadas da maneira mais simples. Abraço grande. Vila

  4. Carla Cascaes says:

    Amigos: na verdade Al Neto não foi esquecido. Entre os prós e contras, não se há que negar: era de uma cultura excepcional!
    Eis o que encontrei na Internet sobre AL NETO:

    “Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Memória da Pós-Graduação
    Sistema de Avaliação
    Relações Nominais
    Projetos de Pesquisa
    HISTÓRIA
    ANO BASE: 2006
    PROGRAMA: 33005010010P-8 HISTÓRIA – PUC/SP
    LINHA DE PESQUISA: Cultura e Cidade
    Projeto de Pesquisa
    A Americanização e a sociedade Brasileira
    Descrição: Na primeira metade da década de 1950, tornou-se popular nos rádios brasileiros o comentário de Al Neto. Todos os dias muitas emissoras entravam em cadeia e ouvia-se a emblemática Oh! Suzana, canção bastante conhecida via Hollywood.
    Em seguida à música de abertura, um “speaker” anunciava: “este é o comentário de Al Neto: Nos bastidores do mundo. O que há por trás das notícias. Ao microfone, Al Neto “Amigo ouvinte. O liberalismo está surgindo no mundo e no Brasil como força polarizadora dos partidos democráticos.” O
    liberalismo foi somente um dos temas que fazia parte da diária crônica de Al Neto.
    Os assuntos eram os mais variados: liberalismo x socialismo; antibiótico e as plantas medicinais brasileiras; formação de técnicos; reforma agrária; classes produtivas – socialismo – capitalismo de estado; democracia no Nepal; Coréia etc.
    Apesar do amplo leque temático, a base era uma só: as grandezas e vantagens do mundo livre em contraposição ao mundo comunista.
    O objetivo desta pesquisa é mostrar a importância que os serviços de informação dos Estados Unidos deram à radiodifusão como arma na guerra fria cultural travada entre os americanos e os soviéticos. O teatro principal desse combate foi, sem dúvida, a Europa e a Ásia, mas teve como plano secundário a América Latina.
    O programa de Al Neto, como foi dito, fazia parte do esforço da política cultural americana de impedir a disseminação de qualquer propaganda de caráter socialista ou comunista. Na verdade, os Estados Unidos podiam contar para isso com a experiência adquirida durante a Segunda Guerra Mundial com o Office of the Coordiator of Inter American Affairs de Nelson Rockefeller. A única diferença que nas décadas de 50 e 60 o inimigo era o comunismo e não mais o nazismo. E coordenação da luta estava nas mãos da CIA.
    Em tempo. Al Neto era cidadão brasileiro e editor de rádio da Embaixada Norte Americana no Rio de Janeiro.
    Área de Concentração:
    Equipe Categoria
    Antonio Pedro Tota Resp. Docente
    CESAR LUIS SAMPAIO Outro Participante
    HENRIQUE ALONSO DE A. R. PEREIRA Outro Participante
    Ano Início
    1996
    Situação
    Em
    Andamento
    HISTORIA SOCIAL”

    Abraços.

  5. dhay says:

    o rio de janeiro tem belas paisagens e com os traficantes na area isso o tornou um lugar com um astral ruim mas nao são os bandidos que irão acabar com a beleza do nosso pais que tem uma nação maravilhosa.VAMOS LÀ RJ TE AMAMOS MUITO(fora bandidos)

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