O CRAQUE E A MAQUIADORA

Publicado em: 04/12/2006

Nos anos 70 o Clube Atlético Paranaense, numa jogada de marketing, contratou dois nomes de grande expressão no futebol brasileiro: o Capitão Belini e o extraordinário Djalma Santos. A chegada dos craques movimentou não só a torcida rubro-negra como de resto toda a cidade, já que ambos eram ídolos nacionais.
Por Jamur Júnior

Foi um período de grandes vitórias e alegrias para a torcida do time da Baixada. Djalma Santos e Belini, além de suas qualidades pelo futebol que praticavam tornaram-se os grandes astros que atraiam multidões nos dias de jogos do Atlético Paranaense. Os primeiros dias da dupla em Curitiba foram de festas e homenagens. A imprensa disputando uma entrevista, uma palavra, uma foto com os ídolos das torcidas. Nessa época a Televisão Iguaçu, mantinha no ar o programa jornalístico de maior audiência na historia da televisão paranaense. O Show de Jornal chegou a marcar 90 pontos de audiência, segundo pesquisa registrada num período.  A cidade parava para assistir o programa.
No dia seguinte a chegada de Djalma Santos e Belini, dirigentes do Clube Atlético Paranaense programaram uma entrevista dos craques no Show de Jornal, para apresentá-los ao publico em geral. Era tempo de televisão em preto e branco, com iluminação feita à base de lâmpadas de mil watts que “queimavam” a cara dos apresentadores e mantinha todos num ambiente de sauna permanente.
As câmeras Marconi Pb, exigiam uma maquiagem muito carregada com um pó compacto que era espalhado no rosto com uma esponja molhada. O apresentador ficava com cara de parede que recebeu uma mão de massa corrida. Na noite da entrevista, Djalma Santos e Belini chegaram com quase uma hora de antecedência. A maquiagem era demorada. Cerca de 09h30min, a maquiadora já tinha o Capitão Belini pronto para enfrentar as câmeras. Em seguida começou a trabalhar no rosto de Djalma Santos. Era sua primeira experiência com maquiagem em pessoa de pele preta.
Quando terminou e os dois se dirigiam para o estúdio, o diretor de jornalismo verificou que Djalma Santos, onde a maquiadora havia aplicado o mesmo pó que usou para Belini, estava com a cara esbranquiçada e fantasmagórica.  
-Tira essa maquiagem da cara do Djalma rapidamente, pediu o diretor.
-Mas o que eu faço? Perguntou a maquiadora.
Ficou o impasse. Tirar o pó compacto e colocar o quê?
Foi quando o operador de câmera Aníbal, um catarinense da Ilha da Magia, gozador de carteirinha deu a sua sugestão.
-Olha, Malquiria, você tira o pó claro e passa Nescafé que dá certo.


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