O desafio era readquirir a confiança e a audiência da população

Publicado em: 18/12/2011

Memórias | Capítulo 10.2 | Cria-se uma fundação

Por sugestão do competente engenheiro Dr. Carlos Augusto Schermann, da Rádio América de São Paulo, emissora dos Padres Paulinos, os próprios sócios remanescentes da Rádio Clube Paranaense criaram uma Fundação. Em homenagem à Padroeira do Paraná, deu-se a ela o nome de Fundação Nossa Senhora do Rocio. Por que Fundação? Por ser uma pessoa jurídica autônoma, o que proporciona diversas facilidades. Uma delas é a de que os bens de uma Fundação não pertencem a pessoas físicas. Assim, se o seu diretor falecer, por não ser propriedade sua a entidade não entra em inventário, evitando-se as implicações decorrentes.

Foi uma inteligente maneira encontrada para tornar a emissora um patrimônio da entidade, e não das pessoas. A ideia foi usada por outras organizações católicas em todo o Brasil. E assim, a Bedois foi salva de se tornar perempta, e o Paraná não perdeu a sua tradicional e poderosa Emissora. ?A luta, porém, não foi fácil e deve-se louvar a coragem de Dom Pedro Fedalto ao enfrentar esse grande desafio. Devemos ao seu arrojo e à determinação do Monsenhor Vicente Vítola a salvação e a nova era da Rádio Clube Paranaense.

Começa a nova fase

Um dia, Monsenhor Vicente Vítola entrou em contato comigo. Ele me contou da aquisição da Rádio Clube Paranaense por um grupo liderado por Dom Pedro Fedalto, falou da criação da Fundação Nossa Senhora do Rocio, e me convidou para uma reunião com os Padres Paulinos que estavam assumindo a direção da emissora, para os quais havia sugerido o meu nome. Fui à reunião, da qual participaram o Padre Soligo e o Dr. Carlos Augusto Schermann, e voltei contratado para diretor gerente, ficando acordado que eu poderia continuar com a minha Agência de Propaganda. E no dia 1º de outubro de 1973 eu retornei à Rádio Clube Paranaense para gerenciá-la e com a obrigação, também, de escrever uma crônica diária.

Os Padres Paulinos contrataram, juntamente, Eurico Budolla para diretor comercial, Pirajá Ferreira para diretor artístico e, mais tarde, Arthur Mende para diretor técnico. ?Aos poucos fomos formando nossa equipe. Lançamos o “Jornal do Meio-Dia”, com apresentação dos competentes locutores noticiaristas José Maria Pizarro e Borges Silva. Mais tarde, Norberto Trevisan substitui Borges Silva e também foi brilhante. Nesse jornal José Maria Pizarro apresentava, com mestria, as minhas crônicas sob o título de “Primeira Página”. Todos eram excelentes locutores. Para comandar o departamento esportivo contratamos o renomado narrador Ayrton Cordeiro e da sua equipe participaram Luiz Augusto Xavier, Augusto Mafus, Dias Lopes, J. Agostinho e o famoso Oldemar Kramer, considerado por muitos o melhor plantão esportivo do Brasil. ?Em agosto de 1974 Jurandir Ambonatti ingressou na Rádio Clube como discotecário programador. Era o início da sua preparação para exercer um papel de grande importância no futuro da emissora.

Além dos problemas com o setor técnico que estava sendo reorganizado progressivamente, tínhamos outras preocupações: readquirir a confiança dos anunciantes e dos diretores de bancos, e reconquistar a audiência da população. É preciso lembrar que a Bedois até estivera fora do ar por alguns dias por motivos de ordem técnica. ?Começamos a luta. Era um estilo de rádio diferente do que fizéramos anteriormente. Os noticiários policiais eram comedidos, não apresentávamos programas de horóscopos, muito em voga na época. As músicas passaram a ser selecionadas para se adequarem a uma emissora católica. Mais do que fiscalizados pelos padres, éramos patrulhados pelos paroquianos.

Para obter a audiência da Classe A, contratamos o famoso colunista social Dino Almeida e criamos o programa “Dino Almeida Informa”. Visando a audiência dos jovens contratamos Dirceu Graeser que, além de cantor e compositor, era um excelente apresentador. Ele comandou o programa “Favoritas da Juventude”.

Aos poucos fomos reconquistando o que a Bedois havia perdido. Processo lento e exaustivo. Sob muitos aspectos, é mais fácil lançar uma nova emissora do que reerguer uma que esteve em decadência. ?E assim, com muito esforço, desenvolvemos o trabalho até 20 de maio de 1976, quando deixei a Bedois e voltei a batalhar na minha Agência, Santa Lúcia Propaganda.

Pouco depois saíram Eurico Budolla e Pirajá Ferreira, que muito deram de si na luta pelo reerguimento da Bedois.

Vencido o seu contrato de administração, os Padres Paulinos encerraram as suas atividades na Bedois e Monsenhor Vicente Vítola ficou no comando.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos e sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 – 3252 3661. www.institutomemoria.com.br

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