O dia do rádio chegará

Publicado em: 11/04/2006

Vi na Folha Ilustrada de segunda-feira (10/04/2006) um título que me soou estranho. Se o título eu estranhei, o conteúdo eu odiei. O Ministério da Justiça quer ”recomendar” o que vai me distrair nas minhas horas de folga. E vai ainda me orientar sobre o conteúdo que devo propor aos jovens da minha casa – e por que da Justiça e não da Cultura? E por que não da Educação? E, ao todo, por que o governo quer prestar tal “serviço” indesejado?
Por Anna Verônica Mautner

A palavra “recomendação”, claro, é uma brincadeira que encobre fiscalização ou,  em bom português, CENSURA. Então, entretenimento passa pela Justiça? Claro que eles não falam em coibir.  Simplesmente colocarão um “selo” quando a diversão obtiver classificação positiva. Dizem que estão elaborando um manual,  objeto de um decreto a sair até julho.
 
Falo de TV num site de rádio. Não se  preocupem – o dia do rádio chegará. Nós,  ouvintes de rádio,  também teremos nossos programas censurados. Assim nossas músicas serão previamente selecionadas para nosso melhor entretenimento,   melhor dizendo,  o governo vai tratar de educar o nosso gosto. Como o atual presidente gosta de duplas sertanejas,  os programas dessas duplas receberão muitos selos e Carl Orf, que diz coisas indizíveis em latim, vai ficar sem selo para que as novas gerações jamais escutem o latim, que, aliás, a Igreja já se encarregou de suprimir.
 
Confesso que nunca esperei viver um retrocesso de tal ordem: selo de qualidade do MJ (Ministério da Justiça) orientando a educação de meus netos e bisnetos.
Socorro! Pode ser que eles não saibam o que fazem, mas se todos nós não gritarmos, eles poderão fazer muito mal. Atenção, debaixo da censura está uma coisa que ainda é pior: a eliminação da diversidade. Todos teremos que gostar igual.


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